LEI MARIA DA PENHA -

Violência doméstica e familiar é tema de trasmissões da Polícia Civil

Lives serão realizadas de 3 a 7 de agosto e temas buscam contribuir para a cultura da igualdade e incentivar as mulheres a romper relacionamentos abusivos

Vitor Ogawa - Grupo Folha
Vitor Ogawa - Grupo Folha

Em um relacionamento, a única coisa que as pessoas esperam que bata mais forte é o coração, e que essa palpitação seja gerada por amor, e não por medo. Infelizmente a realidade de uma parcela imensa da sociedade não é essa. Quem bate forte são os homens, em agressões constantes. A violência doméstica e familiar contra as mulheres é recorrente e presente no mundo todo, motivando crimes hediondos e graves violações de direitos humanos e o Brasil não é diferente.


Delegada Magda Hofstaetter
Delegada Magda Hofstaetter | Roberto Custódio - 09/03/2020
 




Preocupada com a questão, a Polícia Civil do Paraná realizará a Semana PCPR de Combate e Prevenção à Violência Doméstica e Familiar, entre os dias 3 e 7 agosto. A cada dia será transmitida uma conversa com especialistas que abordarão temas específicos, na conta oficial da instituição no Instagram (@pcproficial). A abertura acontecerá às 18h30, as demais serão realizadas sempre às 17h. Todos os usuários da rede social poderão participar e fazer perguntas ao vivo sobre o tema.




A delegada Magda Marina Hofstaetter, que será a mediadora das transmissões, ressalta que além da repressão a esse tipo de violência, é necessário levar informação para as pessoas. "As ‘lives’ trarão uma diversidade de temas por profissionais e representam um importante processo de mudança de cultura para buscar igualdade, e para que as pessoas rompam esses relacionamentos abusivos. Que a gente consiga promover um pouco essa mudança de cultura na sociedade para que os homens parem de ver a mulher como objeto e passem a vê-la como um ser humano sujeito de direitos”, enfatizou.


Ela explicou que o evento é em alusão à Lei Maria da Penha, que completa 14 anos e 7 de agosto.  “O objetivo é levar informação a toda a sociedade e discutir avanços e todas as mudanças que a lei proporcionou ao longo desse tempo. A gente sabe que a violência contra a mulher continua sendo um grave problema social no Brasil, apesar de toda a luta feminista no entorno desta questão.” 



VIOLÊNCIA NA PANDEMIA

A violência neste período de pandemia é foco de duas das transmissões. A desembargadora Priscilla Placha Sá, coordenadora da Cevid (Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar) tratará do tema: “Violência contra a mulher em tempos de Covid-19: permanências e rupturas”.  Já  a professora Maria de Fátima Beraldo, da Rede Estadual e Municipal de Educação e gestora da Promoção da Igualdade Racial de Londrina, falará sobre “Políticas de Igualdade: mulheres negras em tempos de pandemia”. 


“Desde o início do período de distanciamento social houve preocupação inclusive por parte da ONU que os casos de violência doméstica contra a mulher pudessem aumentar porque a mulher fica mais tempo com o seu agressor e muitos serviços não estarem à disposição dela, em função do fechamento de serviços em razão do isolamento. Temos que evitar a propagação do vírus, mas não podemos fechar os olhos para a violência”, ressaltou a delegada Magda Hofstaetter. 






UMA AGRESSÃO A CADA
QUATRO MINUTOS

O Ministério da Saúde aponta que, no Brasil, a cada quatro minutos uma mulher é agredida por um homem. Geralmente essa cena ocorre em casa, com agressor conhecido. Agride-se por ciúmes; por recusa em realizar tarefas domésticas; por reivindicar tempo livre com os amigos -condição que nega à parceira; por questões financeiras; entre outros motivos banais. Todos injustificados. 


“Temos dois homens nessa programação, porque é muito importante ter homens falando sobre violência doméstica”, destacou a delegada Magda Hofstaetter. O delegado da PCPR, Alexandre Macorin, irá fazer a abertura no dia 3 de agosto, às 18h30 e falará sobre os projetos da Polícia Civil no enfrentamento a violência doméstica.  No encerramento da semana, no dia 7, o convidado será o promotor de justiça Ronaldo Costa Braga, de Londrina, atrelado ao Juizado Especial de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, Crianças, Adolescentes e Idosos.


HOMENS AGRESSORES


“Inclusive na quinta-feira (6), a defensora pública do Estado do Paraná e coordenadora do Núcleo de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher, Lívia Salomão Brodbeck, falará sobre grupos reflexivos de homens agressores. Porque não basta a gente falar de violência contra a mulher para a mulher. Temos que reeducar o homem. Mostrar para ele que aquela conduta não é normal.", ressalta a delegada "O homem não pode ter sentimento de posse e propriedade sobre a mulher. A mulher pode ocupar todo e qualquer espaço. Ela pode adotar a conduta que quiser sem ser julgada por isso.”



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