Violência doméstica dificulta aprendizagem
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Carolina Avansini<br>Equipe da Folha 
Londrina - Falta de concentração, dificuldades de aprendizagem, agressividade, agitação excessiva em sala de aula ou falta de interação com colegas e professores são sinais de alerta para profissionais da educação. Diagnosticados inicialmente como problemas cognitivos ou disciplinares, esses comportamentos podem indicar possíveis vítimas de violência doméstica.
O tema será abordado no curso ''A Violência Doméstica contra Crianças e Adolescentes como Fator de Interferência na Aprendizagem Escolar'', promovido pelo Laboratório de Tecnologia Educacional (Labted) da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O evento será de 18 a 20 de maio.
O objetivo é promover a instrumentalização de professores e da equipe pedagógica escolar para que reconheçam esse tipo de violência, encaminhando os possíveis casos aos órgãos competentes e estabelecendo um protocolo de atendimento pedagógico diferenciado a esses alunos.
''Os professores costumam atribuir o problema a dificuldades psicopedagógicas. A ideia é que observem melhor os alunos, pois pode haver indícios de que as crianças ou adolescentes sejam vítimas de violência doméstica'', explicou o professor Paulo Sérgio Negri, do Labted. O conceito de violência doméstica, no caso, inclui agressões físicas e sexuais, violência psicológica e a negligência. ''A criança vitimizada não tem condições psicológicas e cognitivas para aprender'', reforçou.
O especialista ressaltou que os casos de violência física que deixam marcas evidentes são facilmente diagnosticados. A dificuldade está no reconhecimento de sinais mais sutis, que podem ser confundidos com outras causas. Apesar da grande divulgação de temas referentes à violência doméstica, ele acredita que os professores ainda mantêm um olhar mais técnico, desconsiderando a possibilidade da causa do déficit de aprendizagem estar nas agressões.
Outra barreira para o correto encaminhamento dos casos é o medo de represália por parte dos agressores. ''A escola precisa romper a barreira do silêncio e tomar as providências necessárias, tomando os cuidados para não expor os professores e os próprios alunos'', disse.
As consequências da omissão são sofridas principalmente pela criança, que além de não conseguir aprender, continua sendo vitimizada. ''O silêncio perpetua o sofrimento. Por meio da denúncia, tragédias podem ser evitadas.''
Para a conselheira tutelar Rosângela Alves Ferreira, de Londrina, as escolas têm grande potencial para identificar as crianças e adolescentes vítimas de violência. ''É um local onde os alunos sentem-se seguros e falam sobre os problemas'', afirmou.
Muitos dos casos de violência atendidos pelo conselho são encaminhados pelas instituições de ensino. ''A maior queixa é que os alunos são agitados, indisciplinados e interferem no trabalho dos professores'', relatou. Após investigação, os conselheiros identificam as dificuldades da criança e encaminham para atendimento.
Os casos de agressões físicas e sexuais são atendidos pelo Centro de Referência e Assistência Social (Cras). Já as crianças com problemas psíquicos ou dificuldades de aprendizagem vão para o Centro de Apoio Psicossocial (Caps). A promotoria da Infância e Juventude, assim como a própria polícia, são acionadas nas situações de maior risco.


