Violência deixa alunos sem aula em Francisco Alves
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segunda-feira, 27 de março de 2006
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Francisco Alves Os altos índices de violência não são mais ''privilégio'' de cidades grandes. A marginalidade também está mudando a rotina dos pequenos centros urbanos. Em Francisco Alves (97 km a sudoeste de Umuarama), a atuação de adolescentes supostamente envolvidos com o tráfico de drogas atingiu nível extremo. Cerca de 500 alunos do Colégio Estadual Vicente Tomazini não foram às aulas ontem e sexta-feira passada por medo da truculência de uma gangue de jovens infratores.
A situação está complicada, de acordo com autoridades da região, desde o início do ano. Mas saiu do controle nos últimos dias. A agressão de um estudante por um integrante da gangue, que estava armado com um estilete, foi o estopim para que os pais se mobilizassem. A maioria decidiu não mandar mais os filhos para a escola.
Desde sexta-feira, nem 5% dos alunos comparecem às aulas. ''A situação é grave. Temos casos de professores que só não foram espancados porque não reagiram. Outros estiveram na direção em pânico, com medo das ameaças. Amanhã (hoje) não deve aparecer ninguém'', revelou a diretora Jandira Rodrigues Venturini.
Segundo ela, o tráfico de drogas ocorre às claras dentro da instituição. O grupo de pais estuda a possibilidade de interditar rodovias da região para chamar a atenção das autoridades para o problema.
Representantes da escola e da administração municipal fazem reunião hoje no Fórum de Iporã (53 km a sudoeste de Umuarama) com o intuito de buscar soluções. A promotora Caroline Esteves disse que pretende ''tomar conhecimento dos fatos na reunião'' e não poderia adiantar quais providências poderão ser tomadas.
''A orientação por enquanto é que as vítimas procurem a polícia para registrar as ocorrências'', declarou. Disse, ainda, que nenhuma denúncia sobre violência na escola chegou à promotoria.
Para o prefeito Valter Cesar Rosa (PSDB), a violência na escola, e na cidade em geral, é fruto da falta de efetivo. Apenas dois policiais militares zelam pela segurança na cidade de 7 mil habitantes. ''Já mandei vários ofícios pedindo pelo menos mais quatro policiais em Francisco Alves. Mas a solução imediata é o internamento desses jovens, que todo mundo sabe quem é'', apontou. A reportagem tentou contato com a assessoria da Polícia Militar, mas não obteve sucesso.
Enquanto isso não ocorre, os pais não permitem que os filhos frequentem as salas de aula. Um deles, que preferiu não se identificar, disse que alguns dos cerca de 25 membros da gangue já foram apreendidos e liberados pela Justiça. A consequência, segundo ele, é que ''a violência persiste.'' ''É ridículo que um município de 7 mil habitantes passe por essa situação por causa de alguns infratores'', criticou.


