Violência de Londrina equivale à de Portugal
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terça-feira, 18 de março de 2008
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
O número de homicídios registrados por ano apenas na cidade de Londrina é equivalente à quantidade de assassinatos ocorridos em todo o país de Portugal. Uma reportagem da revista Superinteressante, da Editora Abril, fez a comparação dos índices de violência de cidades brasileiras com nações européias. Estatísticas recentes mostram que Londrina e Portugal tiveram uma quantia semelhante de crimes contra a vida. A grande diferença é a população de cada uma dessas localidades: são 10 milhões de portugueses contra perto de 500 mil londrinenses.
A desigualdade econômica e social, a cultura de violência brasileira e o tráfico de drogas são apontados como os principais fatores que explicam a diferença dos índices de criminalidade londrinenses e portugueses. A análise é do sociólogo e professor universitário Cézar Bueno.
Mesmo com os baixos índices, a situação do país europeu está longe de ser tranquila. A opinião é de quem conhece bem os dois lugares. Presidente da Casa de Portugal de Londrina, Adelino Ferreira Marcelino viveu apenas 22 dos seus 79 anos na terra natal. Mas ainda tem parentes na Aldeia Vale da Serra, em Torres Novas, na Área Central do país.
Vítima da violência em Londrina - a família do presidente já sofreu três assaltos, dois na cidade - ele comenta que a calma da aldeia natal não existe mais. ''Não dá mais para sair de casa e deixar a porta aberta. E nas cidades maiores já ocorrem assaltos'', comentou o português. Marcelino avalia que a explosão de violência em terras lusitanas é resultado da presença de mafiosos, principalmente originários de ex-repúblicas da União Soviética.
De acordo com Cézar Bueno, a violência em Londrina aumentou paralelamente ao crescimento dos bolsões de miséria no entorno da cidade. Outro problema é a cultura brasileira que prioriza a resolução de conflitos através de atitudes violentas, em vez de tratar de determinados temas na esfera do direito civil, por exemplo.
''Isto explica porque a nossa polícia é uma das mais violentas do mundo. O problema é a estrutura do Estado, que insiste em criminalizar a miséria. Hoje, tantos os policiais quanto os supostos bandidos são de origem pobre, produtos estruturais dessa miséria. Nos países miseráveis, a criminalização da miséria é usada para pacificar conflitos sociais'', avalia.
E a repressão ao tráfico de drogas é uma das principais fontes de conflitos entre agentes da lei e foras-da-lei. Segundo o sociólogo, a repressão aos entorpecentes representa mais problema do que solução. A guerra do tráfico contribui com o inchaço do sistema carcerário e a morte prematura de jovens.
Por isso, na visão do especialista, a violência deverá continuar existindo, portanto a saída é buscar a redução. ''Tenho a convicção de que o Estado deve pensar em políticas de descriminalização e legalização das drogas'', sugere. Por outro lado, a cultura portuguesa é menos violenta e a situação econômica é ''incomparavelmente'' melhor do que a brasileira. ''Lá, a violência é o último recurso'', decreta.


