Violência cresceu sete vezes
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sábado, 20 de março de 1999
Valmir Denardin 
Desde o início de janeiro, a média de assaltos e roubos de veículos em Santa Terezinha de Itaipu (25 quilômetros a nordeste de Foz do Iguaçu) aumentou de um para sete casos mensais. Pode ser coincidência, mas o crescimento da criminalidade coincide com o período em que a município está sem delegado. Com cerca de 20 mil habitantes, Santa Terezinha sofre com o vazamento da violência de sua vizinha, Foz do Iguaçu.
O delegado calça-curta Joel Batista foi exonerado no início de janeiro, por determinação do governo estadual. Hoje, a delegacia local está subordinada ao delegado Herculano Augusto de Abreu, da 6ª Subdivisão Policial (SDP), sediada em Foz do Iguaçu. Segundo a Folha apurou, além de não ter delegado, a Polícia Civil de Santa Terezinha também sofre com a falta de pessoal. Há apenas cinco agentes, quando o número necessário seria de pelo menos 12.
Os bandidos estão se aproveitando da falta de estrutura, afirma Francisco Hoepers, chefe de gabinete da prefeita Ana Carlessi (PMDB). Segundo ele, a prefeitura está lutando para que a Secretaria Estadual de Segurança envie um delegado concursado para a cidade. Hoepers prevê que a situação deverá ser resolvida ainda esta semana.
A falta de delegado em Ramilândia (110 quilômetros ao norte de Foz do Iguaçu) está obrigando a delegacia local a transportar testemunhas de crimes até Matelândia - sede da Comarca, a 25 quilômetros de distância - para a tomada de depoimentos. O trabalho ficou mais complicado e as despesas são maiores, conta o escrivão Wilson Bonamigo. O último homicídio no município, de 3 mil habitantes, ocorreu em outubro do ano passado.
Em Itaipulândia (município de 4,6 mil habitantes, a 85 quilômetros ao norte de Foz do Iguaçu), a falta de delegado não abalou a tranquilidade. Desde 1º de março, o detetive e o escrivão da delegacia local não registraram nenhuma ocorrência. O delegado de São Miguel do Iguaçu, José Carlos Cruz, visita Itaipulândia duas vezes por semana. Os índices de violência são tão irrelevantes que o município não precisa de delegado, afirma Cruz.


