O sacoleiro paulista José Pedro Leonardo dos Santos, de 36 anos, foi baleado ontem pela manhã, quando tentava impedir um assalto na Ponte da Amizade, que liga o Brasil ao Paraguai. Foi o terceiro caso de violência contra turistas registrado em Foz do Iguaçu - principal pólo turístico do Paraná - em apenas sete dias. Uma das vítimas morreu.
Segundo a Polícia Civil, Santos estava cruzando a ponte a pé, por volta das 9h40, para fazer compras em Ciudad del Este, no Paraguai. Na Santa Casa de Foz, onde foi socorrido, ele contou à polícia que viu um homem tentando roubar a bolsa de uma mulher e correu para impedir o assalto. Ao vê-lo, o assaltante disparou contra o sacoleiro e fugiu.
O tiro atingiu o peito de Santos e se alojou no abdômen. Levado para a Santa Casa, Santos foi submetido a uma cirurgia. À tarde, ele permanecia em recuperação. A direção da Santa Casa não permitiu a entrada de repórteres no quarto e nem informou o estado de saúde do paciente. Até às 16h30, nenhum parente do sacoleiro havia chegado a Foz.
O caso envolvendo Santos é o terceiro registro de violência contra turistas em Foz do Iguaçu em menos de uma semana. Na última segunda-feira, o sacoleiro curitibano Marcel Franco de Oliveira, de 22 anos, morreu na Santa Casa. Dois dias antes, ele havia sido esfaqueado no lado paraguaio da Ponte da Amizade, ao ser atacado por dois assaltantes.
Segundo testemunhas, Oliveira reagiu ao assalto e levou uma facada na perna, que atingiu a artéria femural e provocou hemorragia. Até ontem, os assaltantes não haviam sido presos.
No domingo à tarde, o turista uruguaio Alejandro Ipar Lopez, de 23 anos, foi baleado com um tiro na cabeça, durante assalto ao ônibus da empresa Transbalan que faz a linha turística Centro-Cataratas. Lopez permaneceu quatro dias internado no Hospital Costa Cavalcanti. Na quarta-feira, ele foi transferido, em um avião equipado com UTI, para Montevidéu. Seu estado de saúde no momento era grave.
No mesmo dia da transferência, a Polícia Civil prendeu Lindomar Ortega, de 20 anos, acusado de ter atirado no uruguaio durante o assalto. Ele confessou o crime, mas disse que o disparo foi acidental. O outro assaltante, conhecido pela polícia como Celso ‘‘Polaquinho’’, não havia sido preso até ontem à tarde.
O presidente da Associação Brasileira de Sacoleiros (ABS), Raimundo Ramos dos Santos, disse à Folha que casos de violência contra a categoria são ‘‘coisa antiga’’ na cidade. ‘‘As autoridades precisam saber que os sacoleiros são trabalhadores, que merecem segurança’’, afirmou.

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