O Dia Mundial de Combate à Violência contra a Pessoa Idosa é lembrado em 15 de junho. Os números registrados em Londrina mostram que a situação é preocupante. Todos os meses chegam até a Secretaria Municipal do Idoso de Londrina cerca de 60 denúncias de violência. De acordo com a secretária Liz Clara Ribeiro de Campos, em alguns meses as denúncias superam a média. ''O grau de variação é muito grande, as pessoas não cuidam quando deveriam cuidar, a negligência é o tipo de violência mais comum'', disse. Ela afirmou que em geral quem agride a pessoa idosa é homem. ''Percebemos que existe um envolvimento maior do gênero masculino nestas situações, mas também ocorre entre as mulheres'', explicou.
De acordo com a secretária, às vezes o idoso acredita que tem uma relação ruim com a família, se sente culpado pela situação e, apesar de sofrer maus tratos, não denuncia. Alguns sentem segurança no silêncio e não procuram ajuda por medo de sofrerem mais violência dentro de casa. Em outros casos, o lado afetivo dificulta a denúncia. ''A quantidade de denúncias que chega para nós é muita, mas imagine quantas situações ocorrem sem que a gente fique sabendo'', afirmou.
Rompimento
Liz Clara explicou que a violência tem muitas facetas e que romper com esta rotina é uma tarefa difícil. ''É necessário que vizinhos fiquem atentos e denunciem quando desconfiarem de alguma situação. Fazemos uma investigação para confirmar ou descartar as denúncias'', acrescentou a secretária.
Da mesma forma que as situações de agressão contra a mulher e a criança, a violência contra o idoso geralmente ocorre dentro de casa. ''No entanto, a violência se dá de diferentes formas, eles sofrem preconceito na rua e não é raro serem maltratados na fila do supermercado e outros locais'', acrescentou.
A secretária afirmou que a redução do número de filhos e o aumento dos casais sem filhos é uma preocupação atual. Conforme o Estatuto do Idoso, o filho, independente da situação, tem obrigação de oferecer amparo aos pais idosos. ''Mas e quando não há filhos? Como responsabilizar a família quando ela não existe?'' Ela afirmou que a saída está em desenvolver um trabalho de regularização e fiscalização dos ''asilos'', que passaram a ser chamados de ''Instituições de Longa Permanência para Pessoas Idosas''.
Responsabilidade
Para ela é necessário discutir como a sociedade está se preparando para receber os idosos. ''A cultura atual valoriza o que é novo e descarta o velho. É necessária uma mudança de comportamento em parceria com políticas públicas adequadas para constituir uma sociedade mais solidária'', defendeu. ''É preciso ter um olhar diferente sobre a pessoa idosa, ampliar o tempo para pedestres nos semáforos, ter cuidado com as pessoas nas ruas, preparar a cidade. É responsabilidade de todos trabalhar esta questão. Todos vamos envelhecer.''
Conforme os números da Secretaria Municipal do Idoso, 12% da população de Londrina têm mais de 60 anos. Com o objetivo de melhorar o tratamento nas várias instituições que recebem este público, será realizada hoje uma palestra com a professora Meyre Eiras de Barros Pinto, do Departamento de Psicologia da Universidade Estadual de Londrina. A palestra, aberta ao público, será às 14h30, no Auditório da Mitra Arquidiocesana de Londrina, na Rua Dom Bosco, 145, Jardim Dom Bosco.
Serviço - Denúncias sobre maus tratos podem ser feitas na Secretaria do Idoso, pelo fone (43) 3372-4502. Se a denúncia for de agressão, a orientação é que seja procurada a Polícia Civil - fone 3322-2000.

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