‘‘Res­pon­di pro­ces­so por ter agre­di­do mi­nha mu­lher e mi­nha en­tea­da. Na con­fu­são aca­bei dis­pa­ran­do uma ar­ma de fo­go que atin­giu uma de­las. Na épo­ca mi­nha es­po­sa fu­giu com as crian­ças pa­ra um abri­go e eu fi­quei fo­ra­gi­do.’’ O de­poi­men­to é de um ho­mem que par­ti­ci­pa do Gru­po Re­fle­xi­vo Ca­mi­nhos, or­ga­ni­za­do pe­la Cen­tral de Acom­pa­nha­men­to de Pe­nas e Me­di­das Al­ter­na­ti­vas (Cea­pa), da Uni­ver­si­da­de Es­ta­dual de Lon­dri­na (UEL).
  Lon­dri­na con­ta com uma re­de de ser­vi­ços que acom­pa­nha e pro­te­ge as mu­lhe­res ví­ti­mas de vio­lên­cia. O mu­ni­cí­pio já pos­sui o Cen­tro de Aten­di­men­to à Mu­lher (CAM), que ofe­re­ce ­apoio às ví­ti­mas, a De­le­ga­cia da Mu­lher, que re­ce­be as de­nún­cias, e a Va­ra Ma­ria da Pe­nha, que jul­ga os pro­ces­sos. No mês pas­sa­do, ­mais um ser­vi­ço foi in­cluí­do, mas des­ta vez é de­sen­vol­vi­do com os ho­mens.
  O ob­je­ti­vo é tra­tar com os ho­mens que são in­di­ca­dos pe­la Va­ra Ma­ria da Pe­nha ques­tões re­la­cio­na­das ao gê­ne­ro, aos sen­ti­men­tos, si­tua­ções fa­mi­lia­res e in­cen­ti­var que os par­ti­ci­pan­tes re­fli­tam so­bre a vio­lên­cia. O pro­je­to con­ta com uma psi­có­lo­ga, uma as­sis­ten­te so­cial e uma ad­vo­ga­da.
  O pri­mei­ro gru­po tem no­ve ho­mens e as reu­niões são quin­ze­nais. De acor­do com a psi­có­lo­ga do pro­je­to, Re­na­ta Ma­ciel de Frei­tas, a pro­pos­ta é fa­zer com que ­eles pen­sem a res­pei­to do que acon­te­ceu. ‘‘Acre­di­ta­mos que es­ta é a me­lhor ma­nei­ra de mu­dar o ­futuro’’, dis­se. Ape­sar de afir­mar que a mu­dan­ça de com­por­ta­men­to é uma de­ci­são in­di­vi­dual, Re­na­ta acre­di­ta que com a dis­cus­são do as­sun­to em gru­po é pos­sí­vel in­ter­rom­per o ci­clo da vio­lên­cia.
  No mês de agos­to a Lei Ma­ria da Pe­nha com­ple­ta cin­co ­anos. Nes­te pe­río­do, pe­lo me­nos 70.574 mu­lhe­res já con­se­gui­ram me­di­das pro­te­ti­vas que man­têm os agres­so­res a uma dis­tân­cia mí­ni­ma. Até ago­ra fo­ram con­ta­bi­li­za­das 76.743 sen­ten­ças de­fi­ni­ti­vas em pro­ces­sos por agres­são a mu­lhe­res. No Pa­ra­ná es­te nú­me­ro é de 2.636.


● Refere-se à farmacêutica Maria da Penha Maia Fernandes, que após ser agredida pelo marido durante seis anos, e ficar tetraplégica, conseguiu a sua condenação


● Profissional que estuda o comportamento e os processos mentais dos indivíduos (psiquismo)

mockup