Violência contra homossexuais tem aprovação de 6%
Israel Reinstein
De Curitiba
Essas bichinhas deveriam ser mortas. Devem acabar com essa raça. Frases e sentimentos semelhantes a estes são vivenciados diariamente pelos homossexuais de Curitiba. Esta situação fica clara quando se verifica que 6% dos jovens consideram normal bater em homossexuais e prostitutas. E que em torno de 30% não percebem como é errado segregar ricos de pobres.
O curitibano discrimina muito quem é homossexual. As maiores agressões vêm dos jovens, que, sem medir os atos, acabam expressando o que uma parcela da sociedade pensa, diz o orientador do Grupo Dignidade, Adilson Trojano, 20 anos. Para Carlos Valdinei Pereira, 21 anos, decorador e voluntário do Grupo Dignidade, o homossexual assumido sofre com a pressão da sociedade.
O fato de se assumir, quando se é jovem, acaba sendo uma situação barra, diz. Ele conta que sua trajetória não foi fácil. Meus pais eram evangélicos e tentaram me curar de minha opção sexual, lembra Pereira. Sem entender que o filho era diferente, em função de não haver um diálogo aberto, Pereira frequentou por seis meses um tratamento, realizado por um pastor, que prometia tornar o rapaz heterosexual. O tratamento não vingou e hoje ele assumiu a sua sexualidade.
Mas assumir perante a sociedade não é fácil, afirma. De acordo com ele, há muita discriminação quanto ao diferente. Ele conta que, para se prevenir, os jovens que são homossexuais costumam andar em grupo. É uma maneira de evitar ser perseguido por pessoas que querem nos bater.
Adilson Trojano explica que outro problema enfrentado é a agressão desenvolvida por policiais. Existem pontos de pegação, onde a gente costuma ir antes de sair à noite. Não são raros casos de humilhação, extorsão ou agressão sexual cometidos por policiais, afirma Trojanao, que vai a esses locais para realizar trabalho de conscientização sobre a aids.
Para ele, a sociedade curitibana não comprende o diferente. Mas em parte é porque não se acostumou a vivenciar com os homossexuais, diz. Trojano entende que é preciso mostrar a cara, mas admite não ser fácil. Jovens adolescentes, que ainda são enrustidos, acabam sendo maltratados nas escolas e nas ruas. Fica complicado para quem está se formando se colocar em evidência, quando ainda está formando a personalidade, conclui Carlos Pereira.





