Violência aumenta nos últimos 15 dias
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segunda-feira, 15 de maio de 2000
Telma Elorza De Londrina 
O índice de violência em Londrina bateu recordes no espaço de 15 dias. Ocorreram no período seis assassinatos, uma tentativa de homicídio, uma morte em troca de tiros com policiais militares e uma fuga de presos no 3º Distrito Policial (leia nesta página), além de diversos assaltos e inúmeros furtos. Embora os números sejam incontestáveis registrados nos boletins de ocorrência , o delegado-chefe da 10ª Subdivisão de Polícia (SDP) de Londrina, Wanderci Corral Fernandes, afirma que tudo está dentro da normalidade. Eu não vejo espanto nestes números. Estão normais, disse ontem.
Segundo ele, o alto número de homicídios no período não é motivo de alarme. Tem mês que aumenta o número, tem mês que diminui. É assim mesmo, varia muito. Em março, por exemplo, não tivemos nenhum, enquanto em abril tivemos o maior números de homicídios, com oito, afirmou. Janeiro registrou quatro e fevereiro sete homicídios. Para o delegado-chefe, o homicídio é um tipo de crime sem possibilidade de prevenção. Normalmente é uma coisa de momento, uma discussão que leva à agressão e morte. E a polícia não tem como prever e impedir uma coisa assim. Mesmo que tenha um grande efetivo, não podemos manter um policial permanentemente ao lado de cada cidadão para evitar que alguém resolva assassinar outro alguém.
Segundo Fernandes, a Polícia está fazendo sua parte, que é descobrir os autores e encaminhá-los para a Justiça. Dois dos homicídios ocorridos na semana passada já foram solucionados, informou. O delegado-chefe garantiu, por outro lado, que está havendo uma diminuição no número de furtos de veículos. Graças as blitzes e arrastões que estamos fazendo frequentemente em oficinas e ferro-velhos. Então não dá para falar em aumento da violência. O que acontece é que vem se mantendo em uma média normal para um cidade do porte de Londrina, contestou.
Para o presidente do Conselho Comunitário de Segurança, Newton Morato, a situação não pode ser considerada de normalidade. O próprio secretário de Segurança, José Tavares, afirmou que Londrina e Foz de Iguaçu são as cidades que enfrentam as piores condições de segurança pública. Hoje, nenhum londrinense está tranquilo, afirmou. Segundo ele, Londrina ficou abandonada durante muito tempo. E se não fosse a sociedade se organizar, estaria até hoje sem nem uma promessa de melhoria. Nós estamos sem representação política para nos defender. Onde estão os nossos deputados estaduais, que deveriam estar fazendo esta ponte?, questionou.
Morato esclareceu que o Conselho de Segurança está aguardando posição dos veículos de comunicação da cidade para prosseguir a campanha Londrina Exige o Fim da Violência. De acordo com Morato, em nenhum momento, porém, o Conselho deixou de cobrar das autoridades as soluções necessárias para o problema da segurança.
Ele informou ainda que nos próximos dias o conselho divulgará um projeto de segurança pública para Londrina, elaborado pelos membros da entidade. É um plano para ser aplicado a curto e médio prazos, dentro da realidade do momento que estamos vivendo, afirmou. Ele não quis adiantar quais seriam os principais tópicos do projeto porque, afirmou, havia acabado de recebê-lo e ainda não teria tido tempo para estudá-lo.


