Violência atinge 90% dos menores
José SuassunaPara Ângela Mendonça, dar esmolas contribui para a manutenção de um círculo vicioso na vida das crianças, que pode influenciar na fase adultaCerca de 120 crianças e adolescentes dormiram nas ruas de Curitiba durante o mês de setembro, revela pesquisa da Secretaria Municipal da Criança (SMC), realizada em conjunto com a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC). Pela análise dos técnicos da universidade, a quantidade está dentro dos padrões de cidades com o mesmo tamanho da capital paranaense. Nos últimos anos esses números estão estabilizados. Na pesquisa realizada em 1998 foram contabilizadas 803 crianças e adolescentes, consideradas ‘‘em situação de rua’’.
A pesquisa estabeleceu as terminologias crianças de rua e crianças na rua para diferenciar situações distintas. O primeiro termo é empregado para crianças ou adolescentes que transformaram as ruas em ambiente de trabalho, lazer e moradia, sem vínculo familiar estável e que durmam mais de três vezes por semana fora de casa. A maioria dos menores cadastrados, 75% são meninos e 33,1% vêm dos municípios da Região Metropolitana de Curitiba. A faixa etária predominante (22%) fica entre 11 a 14 anos de idade.
O mais grave é que 90% das crianças sofreram violência física e sexual por mais de uma vez dentro de casa. ‘‘As meninas se tornam mais agressivas e de difícil resgate’’, revela a diretora do Departamento de Integração Social da SMC, Ângela Mendonça.
Ela alerta que dar esmola contribui para a manutenção de um círculo vicioso na vida das crianças, que pode influenciar na fase adulta. Ângela explica que, quando são pequenas, as crianças seduzem os maiores com o choro, por exemplo, para conseguir uma esmola. Quando ficam maiores a quantidade de dinheiro arrecadado diminui e a família passa a cobrá-lo, e os menores se tornam agressivos.
Violência caseira Mas não é só a violência nas ruas que preocupa as autoridades. O Serviço SOS Criança, que atende somente às crianças em situação de risco, registrou em setembro 243 casos de violência grave dentro de casa. Ela conta que as crianças menores de 3 anos são as que mais apanham dos pais ou parentes próximos.
Com a proximidade do fim do ano, deve aumentar o número de menores trabalhando nas ruas da cidade. Em janeiro deste ano eram 140, em setembro foram cadastrados 601. A pesquisa aponta ainda que o uso do crack explodiu entre as crianças de rua, lamenta Ângela. Hoje os menores usam mais crack do que álcool e cocaína. Mais 50% cheiram cola e outras drogas inalantes. (R.B.N.)

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