Violência assusta moradores de Ivaiporã
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quinta-feira, 13 de maio de 2010
Eli Araujo<br>Reportagem local 
Ivaiporã - Ivaiporã, a 160 quilômetros de Londrina, vive hoje uma época de intranquilidade. As histórias de roubos, assaltos e outros crimes se tornaram o principal assunto em qualquer roda de conversa na cidade. E a sensação de insegurança aumentou ainda mais após a morte de um proprietário rural, vítima de latrocínio, há menos de um mês.
A onda de violência mudou os hábitos dos moradores. As pessoas vivem em permanente estado de alerta. As mães aumentam a vigilância sobre os filhos adolescentes e alguns comerciantes trabalham com as portas fechadas ou encerram mais cedo o expediente. E há um consenso entre a população e as autoridades locais de que a criminalidade está diretamente associada ao consumo de drogas.
A empresária Adalgisa Schmeiske conta que a joalheria dela foi assaltada uma vez e, em outra ocasião, os ladrões arrombaram a parede para entrar. A nossa tranquilidade acabou. Hoje qualquer comércio é visado: os ladrões assaltam qualquer boteco, afirma. Ela observa que os assaltantes preferem os estabelecimentos onde trabalham apenas mulheres.
Outro exemplo é de uma casa lotérica que foi alvo de seis assaltos à mão armada nos últimos quatro anos. O empresário Hugo Peres diz que nem o sistema próprio de segurança, com câmeras e alarmes monitorados, evita a ação dos bandidos. Segundo ele, o problema poderia ser resolvido, ao menos em parte, se a Polícia estivesse mais presente no Centro. A Polícia está sempre em outro lugar quando a gente pede uma viatura. Eles demoram para chegar e não descobrem mais nada porque o ladrão já está longe.
Estrutura
A onda de violência preocupa os representantes de duas entidades do município, que possui 33 mil habitantes. O presidente do Conselho Comunitário de Segurança, David Soares Ruas, diz que falta estrutura para a Polícia atender todas as ocorrências. Outro problema, segundo ele, é a cadeia, que funciona junto à delegacia, e abriga 150 detentos foi projetada para abrigar 32. A gente comenta que a nossa delegacia não tem mais onde remendar, afirma em referência aos inúmeros reparos no
presídio.
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) local, Fernando José Santilio, diz que a segurança está muito precária e atribui o aumento da violência ao consumo de drogas e ao desemprego. O crack entrou com força total em Ivaiporã, mais que a maconha e a cocaína, explica.
As duas entidades elaboraram uma lista de reivindicações: a transformação da delegacia em Subdivisão Policial, uma vez que a cidade é polo regional, a construção de uma cadeia pública, o aumento do número de investigadores e agentes da Polícia Civil, a construção do Instituto Médico Legal e a criação de uma companhia independente da Polícia Militar na cidade.
Violência doméstica
Além dos assaltos e roubos a estabelecimentos comerciais e também na zona rural, a Polícia Civil de Ivaiporã registra inúmeros casos de violência doméstica, em especial nos finais de semana quando a incidência de embriaguês é maior.


