Violência assusta funcionários de posto de saúde
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quinta-feira, 08 de março de 2007
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Cambé - ''Estamos trabalhando e ouvimos os passos de gente andando no telhado. Não tem como não ficar com medo.'' A situação descrita é suficiente para tirar a tranquilidade de qualquer um. Ainda mais de quem é responsável por zelar pela saúde da população. Mas é o que está acontecendo na única Unidade Básica de Saúde 24 horas de Cambé, no Jardim Morumbi. A ação de criminosos está obrigando a administração municipal a tomar cuidados extras com a segurança, inclusive com a contratação de vigilantes.
Com medo de represálias, a funcionária que preferiu não se identificar dá mais detalhes sobre a situação de insegurança que assola o local. ''Os furtos de fios são constantes. As invasões são pelo telhado. Os pacientes reclamam porque ficam sem televisão e ventilador'', afirma. As consequências, no entanto, são ainda mais graves.
De acordo com o diretor administrativo da Secretaria Municipal de Saúde, Márcio Martin, pelo menos 30 pacientes do Centro de Especialidades Odontológicas de Cambé (Ceoc), que funciona no mesmo imóvel, são dispensados cada vez que ocorre um furto de fiação elétrica. E foram três nos últimos 15 dias.
Com o intuito de reduzir os danos ao patrimônio público e garantir a integridade de funcionários e pacientes, a prefeitura está tomando medidas como a contratação emergencial de uma empresa terceirizada de vigilância. Dois profissionais são responsáveis pela segurança do posto de saúde durante as noites.
O serviço é prestado pela empresa Inviolável, de Cambé, e vai custar R$ 6 mil mensais aos cofres públicos. A verba é proveniente do Fundo Municipal de
Saúde. ''Esse dinheiro poderia ser revertido em benefício da comunidade até com a compra de equipamentos para o próprio posto de saúde'', lamenta. Desde a contratação dos vigilantes, não houve mais invasões no prédio.
Também está sendo feita a canalização interna da fiação elétrica. ''Os furtos de fios ocorrem mais à noite. Essa é uma forma de, pelo menos, dificultar a ação dos bandidos'', comenta a enfermeira Jaqueline Felipe. Outras ações são a melhoria na iluminação e a instalação de portão. Márcio Martin afirmou ainda que a Polícia Militar está fazendo uma vigilância mais constante na área.
Outra situação que preocupa quem trabalha no local foi o assalto de uma funcionária no Centro da cidade. Ela teria sido reconhecida pelo crachá e ameaçada pelo marginal, que já estaria detido.
A unidade básica foi instalada onde funcionava o antigo Hospital Londrina. O posto de saúde ocupa parte do imóvel. O restante do prédio está abandonado. Há janelas e vidros quebrados por todos os lados. Até vasos sanitários foram levados por bandidos. Frequentemente, de acordo com a funcionária, o local é invadido por marginais.


