Sessenta e seis por cento dos homicídios registrados pela Polícia Militar este ano na Região Metropolitana (RM) de Curitiba ocorreram em apenas seis dos 22 municípios patrulhados pelo 17º Batalhão Policial Militar (BPM). Colombo, Pinhais, Almirante Tamandaré, São José dos Pinhais, Piraquara e Araucária são também campeões de outros crimes, num quadro de violência que assusta a população e preocupa a polícia.
Os municípios mais violentos estão entre os mais próximos a Curitiba. É a faixa da RM que mais cresceu nos últimos anos, provocando o maior aumento populacional entre todas as regiões metropolitanas do País nesta década. Boa parte dessa população é gente sem emprego, moradia ou perspectiva de avanço social e econômico.
‘‘A questão sócio-econômica é a raiz da violência’’, diz o delegado Erineu Portes, do distrito de Alto Maracanã, em Colombo, que há um mês resolveu adotar um paliativo: proibiu os bares de fechar depois das 23 horas, para tentar diminuir o número de homicídios. Portes diz que a média de homicídios registrados na delegacia é de 25 por mês.
O número sugere que o balanço da PM - no qual aparecem 128 homicídios na RM de janeiro a outubro deste ano - está longe de revelar a realidade. Mesmo assim, ele pode dar uma idéia da violência na região. Pinhais e Colombo aparecem com 20 homicídios cada um, seguidos por Almirante Tamandaré e São José dos Pinhais, com 17 cada um.
Nos primeiros dez meses do ano, a PM registrou 1.761 casos de lesões corporais na RM, a maioria em Almirante Tamandaré, Pinhais e São José dos Pinhais. De janeiro a outubro, foram roubados ou furtados nos 22 municípios patrulhados pelo 17º Batalhão 564 veículos. O maior número de furtos e roubos ocorreu em Araucária (88), Pinhais (86) e São José dos Pinhais (84).
Embora a população reclame cada vez mais da violência, o comandante do Policiamento da Capital da PM, coronel Renildo Gonçalves da Silva, acha que os números não são alarmantes e não estão relacionados a falta de policiamento: ‘‘Desde o começo do ano, duplicamos o número de viaturas em serviço e aumentamos o efetivo em 20% em Curitiba e Região Metropolitana’’.
Ele reconhece que ainda não foi possível recuperar a defasagem no efetivo, acumulada há dez anos, mas diz que a ocorrência de certos crimes não pode ser evitada pela polícia. ‘‘Os homicídios, por exemplo, ocorrem em bares e residências’’, diz.
O comandante do 17º BPM, tenente-coronel Donizete Carlos Ribeiro, diz que tem procurado colocar o maior número possível de homens nas ruas. Duas vezes por semana, ele põe em prática a operação ‘‘Parada Geral’’, que consiste em tirar do quartel todo o pessoal administrativo. ‘‘A presença da polícia na rua visa tranquilizar as pessoas, que vêem fatos criminosos na imprensa e sentem-se amedrontadas’’, afirma.

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