Violência altera rotina da comunidade da UEL
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terça-feira, 08 de março de 2016
Simoni Saris<br>Reportagem Local
Os frequentes relatos de delitos cometidos dentro do campus da Universidade Estadual de Londrina (UEL), na zona oeste, têm feito a comunidade interna alterar sua rotina para tentar contornar a violência. Alunos, professores e funcionários evitam os pontos de ônibus à noite, procuram circular em grupos e tem até aluno mudando de endereço para se afastar de uma região considerada insegura.
Na última quinta-feira, o coordenador do curso de História, Marcos Antônio Neves Soares, presenciou um assalto no ponto de ônibus do Centro de Ciências Humanas, pouco antes das 22 horas. Segundo ele, dois rapazes apontaram uma arma para uma aluna e roubaram o celular. "Me sinto completamente inseguro na UEL. Sempre ouvi relatos, mas nunca pensei que fosse passar tão perto de mim", contou. Depois do episódio, ele deixou de usar o transporte coletivo e tem optado pelo táxi. Ele também criou no Facebook a página "(in)segurança na UEL" para denúncias de violência.
Para ir de casa até a UEL, o estudante de Química Bruno Luís Sacco usa a bicicleta, mas quando tem atividades à noite na universidade, a bicicleta é substituída pela carona com um amigo. "À noite, eu procuro sempre estar alerta. Eu vejo seguranças pela UEL à noite, nas guaritas também, mas não é suficiente", disse.
Após ouvir tantas histórias de colegas que presenciaram casos de violência, a estudante de Veterinária Bárbara Barcellos decidiu mudar de endereço. Em breve, ela vai trocar o apartamento na Cidade Universitária para um no centro da cidade. "A rua do beco da Cidade Universitária é perigosa. Falta iluminação. Ontem (domingo) teve um assalto. Tinha que ter mais ronda", cobrou.
Vigilantes
A UEL conta com uma equipe de seguranças e com um sistema de monitoramento por câmeras, mas a própria Prefeitura do Campus admite que a estrutura não é suficiente. Porém, afirma que trabalha para tentar mudar a forma de trabalho da equipe. "Alguns servidores que ficavam em pontos fixos agora têm circulado e têm conseguido inibir algumas ocorrências. A segurança trabalha 24 horas, mas não consegue coibir tudo", disse o prefeito Dari de Oliveira Toginho Filho. "Muitas coisas acontecem e a gente não fica sabendo porque a vítima não faz o boletim de ocorrência, que só pode ser feito pela polícia." A Divisão de Segurança da UEL disponibiliza um sistema de ligação gratuita pelo 0800-400-4474.
A segurança da UEL é feita por vigilantes que atuam em cerca de 20 postos dentro do campus e aproximadamente 100 câmeras de monitoramento, sendo 15 delas de alta resolução. O prefeito aguarda o resultado de uma licitação para o material de infraestrutura necessário para instalar mais 25 câmeras em vias e pontos de ônibus. Há ainda um projeto para instalação de câmeras nas quatro vias de acesso à UEL, mas a licitação não foi aberta. A estimativa de custo do projeto é de R$ 320 mil.
Toginho afirma que o aumento do adensamento populacional no entorno da UEL contribui para elevar os problemas de segurança na universidade, mas discorda que as ocorrências estejam crescendo. "A universidade não está perigosa. A situação hoje é mais confortável do que há cinco ou dez anos, quando as ocorrências de assalto eram maiores. Mas as redes sociais, hoje, permitem a troca mais rápida de informação", disse. "Criar expectativas além dos fatos me preocupa. Temos que aumentar a segurança, mas não criar uma expectativa ruim."
A reportagem da FOLHA solicitou à UEL os dados referentes às ocorrências policiais no campus, mas até o fechamento desta edição, os números não haviam sido repassados.
A Polícia Militar afirma que o policiamento no entorno do campus foi reforçado no ano passado, quando cresceram as reclamações da população. "Reforçamos a segurança na parte externa da UEL, mas na parte interna não houve aquiescência dos alunos para fazer a patrulha lá dentro", disse o porta-voz da Polícia Militar, capitão Marcos Todoro.