Violência afeta a rotina da cidade
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quinta-feira, 26 de abril de 2007
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
O pavor que toma conta dos londrinenses por causa da violência aumenta dia a dia. Casos graves se sucedem nos noticiários locais e deixam a população encurralada, num misto de medo e impotência diante da ação dos criminosos. Atitudes agressivas, que antes eram exclusividade de bandidos, começam a aparecer também nos lugares mais improváveis, como as escolas. Nos últimos dias, uma professora foi agredida com barra de ferro por um aluno e uma diretora foi sequestrada por estudantes. Entre as vítimas da violência, polícia e comunidade se misturam e os assaltantes pouco se importam se as balas atingem inocentes.
Além das tragédias que deixam famílias inteiras de luto, a insegurança gera efeitos diretos e indiretos na rotina de todos. Estabelecimentos comerciais, residências, escolas. Ninguém é poupado. Nem mesmo os que ainda não foram assaltados ou baleados.
Um exemplo é o Colégio Estadual Ana Molina Garcia, localizado na Zona Leste. Após uma sucessão de ocorrências como bombas no pátio da escola e a agressão contra uma professora, ferida por um aluno com um golpe com uma barra de ferro, a Patrulha Escolar passou a fazer ''marcação cerrada'' no local. Com a alta incidência dos casos de violência, dois policiais militares ficaram com maior frequência no pátio da instituição de ensino.
De acordo com a chefe do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Londrina, Geni de Lourdes Perineto, a violência nas proximidades das escolas tem gerado outras consequências práticas. Algumas instituições de ensino que ficam perto de bares tiveram os muros aumentados para evitar que pessoas de fora jogassem garrafas para dentro das escolas.
Outra mudança na rotina foi de professores, que criaram o hábito de ir embora juntos, para evitar o risco de novas ocorrências como o sequestro da diretora de uma escola na Zona Sul. ''Quanto à presença constante da Patrulha dentro das escolas, não há problemas. Os alunos já estão acostumados com a presença deles. Os policiais da Patrulha Escolar estão preparados para lidar com estudantes'', comenta Geni.
Um setor afetado pela explosão de violência é o turismo. Para a presidente do Londrina Convention & Visitors Bureu (LC&VB), Maitê Uhlman, a cidade ainda não perdeu eventos por causa de ocorrências policiais, mas o risco existe. Nunca tivemos notícia de ocorrência com participantes de congressos que visitam a cidade. Mas a violência é um fator inibidor porque se a cidade não é boa para quem mora, também não será boa para o visitante'', afirma Maitê.
De acordo com a presidente do LC&VB, o calendário prevê 72 grandes eventos para 2007, mas esse número se altera todos os dias. A média é de 700 participantes por evento, sendo 40% de Londrina e 60% de outras cidades. Com isso, a movimentação financeira proporcionada pelos eventos deve atingir R$ 22,6 milhões, além de outros R$ 4 milhões em gastos com fornecedores.
Para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Rubens Augusto, a consequência direta da violência é uma redução na rentabilidade do comércio. O gasto com segurança, segundo ele, gira em torno de 3% a 5% do faturamento das empresas. E há empresas que não atingem esse percentual de rentabilidade.
De acordo com Augusto, qualquer estabelecimento comercial em Londrina precisa de câmeras de segurança e vigias. ''O que está acontencendo é um problema nacional. 'Democratizou' o crime no Brasil. (O crime) Atinge todo mundo, não escolhe mais ninguém. A situação está complicada no Brasil inteiro e em Londrina a situação é grave em todos os sentidos'', alerta.
Rubens Augusto participa há seis anos do Fórum de Segurança de Londrina, criado pela Câmara Municipal. Foi nesse grupo de discussão que surgiu a idéia da criação da Patrulha Escolar.
''Na década de 1970, o Estado 'terceirizou' a educação para a população. A classe média foi obrigada a colocar os filhos na escola particular. De 1980 para cá, principalmente, o Estado obrigou a classe média a comprar plano de saúde, mesmo pagando os mesmos impostos que eram pagos antes. E agora o Estado está 'terceirizando' a segurança'', comenta.
Ele acredita que a violência precisa ter atacada com um número maior de policiais, que precisam ser mais bem preparados e com salários melhores. Outra sugestão é a criação de um novo comando da Polícia Militar na Zona Norte. A ordem para a implantação da nova Companhia foi assinada na quarta-feira pelo governador Roberto Requião. Ainda falta a construção da nova sede. ''A esperança é que esse pedidos saiam do papel. O comércio é um grande gerador de empregos e precisa ser respeitado'', reivindica Augusto.


