VIOLÊNCIA - Primo de Requião é baleado em Curitiba
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 26 de julho de 2004
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba Onze assassinatos movimentaram as polícias Civil e Militar nesse fim de semana, em Curitiba e Região Metropolitana. Execuções, tiroteios, brigas de trânsito e assaltos foram algumas das ocorrências registradas. Um dos casos que mais chamou a atenção foi o do empresário Luiz Antônio Lacerda de Mello e Silva, de 63 anos, ferido com um tiro na cabeça por volta das 22h30 de sábado. Mello e Silva, primo do governador Roberto Requião (PMDB), estava saindo de casa para ir até a farmácia. Segundo a polícia, ele acionou o portão eletrônico e antes de abrir completamente a porta da garagem percebeu que uma pessoa já estava dentro de seu quintal.
O empresário buzinou na esperança de alertar os parentes e vizinhos da presença de um estranho. Mello e Silva teria ainda tentado fugir, jogando o carro contra a pessoa, que ele não soube identificar. Entretanto, teve o pára-brisas do carro atingido por dois tiros. Segundo a polícia, um dos disparos acertou a cabeça do lado direito e causou uma lesão no cérebro. O suposto assaltante nada levou e correu em direção a outro carro que estava nas proximidades, de cor escura.
Inicialmente, polciais da Delegacia de Furtos e Roubos foram acionados para cuidar do caso. ''Coloquei uma equipe minha para fazer a investigação na região de Santa Felicidade. Não me pareceu furto de carro por causa da abordagem. A impressão que tenho é que o marginal queria roubar a residência'', disse o delegado titular Rubens Recalcatti.
O inquérito vai correr na Delegacia de Homicídios. O delegado titular Luiz Alberto Cartaxo de Moura não acredita em roubo, já que o suposto assaltante não levou nada e fugiu num carro estacionado na região. Uma das probabilidades é um atentado, promovido por algum desafeto do empresário. ''Vamos atuar de forma a investigar a realidade dos fatos, sem qualquer influência externa. A suspeita de atentado é uma de tantas que podem ser contabilizadas'', informou ontem.
Cartaxo começou a ouvir ainda ontem familiares e testemunhas do crime. Mello e Silva passa bem, depois de ter sido submetido a uma cirurgia para a retirada do projétil que estava alojado no crânio. O laudo do Hospital Cajuru, onde ele permanece internado, demonstrou que a cirurgia restaurou a lesão na duramater do cérebro (membrana de proteção), que tinha hematomas e afundamento de crânio por causa do impacto do disparo. Domingo à tarde, ele já havia deixado a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Segundo informações do Hospital, foi realizada nova tomografia craniana, que não constatou qualquer tipo de sequela. A previsão é que ele tenha alta até amanhã.


