Violência - População de Centenário pede segurança
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quarta-feira, 26 de março de 2008
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Centenário do Sul - A cidade de Centenário do Sul (91 km ao norte de Londrina) praticamente parou na manhã de ontem. Estudantes não tiveram aula, lojas e supermercados mantiveram as portas fechadas durante toda a manhã. Organizada pela Associação Comercial de Centenário e por religiosos, a manifestação contra a violência reuniu aproximadamente 200 pessoas.
Faixas com frases de protesto e pedindo paz, além de dois caixões brancos de crianças, foram alguns dos aparatos utilizados pelos manifestantes. Os jovens que carregavam o caixão estavam de roupa preta para simbolizar o futuro de adolescentes que se envolvem com a criminalidade, principalmente, por conta das drogas. ''Precisamos chamar a atenção das nossas autoridades. Nosso apelo é de prevenção, para que não viemos a precisar sepultar jovens da cidade que têm se envolvido cada vez mais com as drogas. Não queremos que Centenário fique como as cidades grandes. Então os estudantes fizeram questão de participar'', disse Josiane Pires, professora de artes da Escola Estadual Padre José Pires.
O município possui cerca de 11 mil habitantes. Segundo os moradores, há pouco mais de um ano, a criminalidade tem aumentado. O padre da Paróquia Central, Sebastião Benedito de Souza, lembra que quando chegou, em 2006, Centenário apresentava uma outra realidade. ''Antes eu morava em Londrina e quando cheguei aqui senti uma grande diferença. Era tudo mais tranquilo, calmo, não havia assaltos ou roubos. Hoje as pessoas estão com medo. Todos os dias temos nos deparado com crimes violentos e o pessoal não ter esperar que isso piore'', salientou.
Uma das principais queixas dos moradores é a quantidade de furtos nos estabelecimentos comerciais e na área rural. O agricultor Luis Ivamura conta que um grupo de assaltantes invadiu sua casa há pouco mais de um mês e ele levou uma coronhada na cabeça. ''Foi horrível. Eles queriam dinheiro e eu não tinha. Ameaçaram minha família e falavam que iam matar todo mundo. Acabaram indo embora porque viram que eu não tinha nada demais'', comentou.
Na semana passada, Paulo Poleto, proprietário de um supermercado, viveu momentos de ''terror''. Ele disse que dois homens numa motocicleta, armados, invadiram o estabelecimento e exigiram dinheiro. ''Tinha cliente na hora e teve gente que passou mal. Eles levaram dinheiro do caixa e depois saíram atirando. Estamos muito assustados porque a cidade está muito violenta. Quando chamamos a polícia para atender uma ocorrência, a cidade fica desfalcada porque não tem mais gente para atender alguma outra coisa que precisar'', disse.
De acordo com dados da 2 Companhia da Polícia Militar, responsável pelo efetivo de Centenário, no ano de 2007, a cidade registrou 2 homicídios; 30 furtos qualificados e 12 roubos. Neste ano, não houve nenhum homicídio e até agora já aconteceram 7 roubos e 3 furtos. ''Por enquanto, o índice da cidade está de acordo com a média de ocorrências das cidades do mesmo porte. Temos uma equipe que atua fortemente em conjunto com a Polícia Civil e em todos os casos temos conseguido êxito nas soluções'', garantiu o capitão Mário Celso, comandante da PM que atende a região.
Ainda segundo o capitão, há uma média de três ocorrências por dia na cidade e quando há necessidade de mais policiais, viaturas de cidades vizinhas, como Lupionópolis e Cafeara, são enviadas para Centenário. ''Estavamos cientes da manifestação e vamos encaminhar essas reinvindicações para nossas autoridades'', disse.


