VIOLÊNCIA - Falta de atenção e álcool são os grandes vilões
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quinta-feira, 11 de maio de 2017
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
O diretor de Trânsito da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Hemerson Pacheco, explica qual a principal causa de acidentes dentro do perímetro urbano de Londrina. "Cerca de 95% dos acidentes são provocados por falta de atenção, imperícia ou negligência. Apenas 5% podem estar relacionados com falhas da sinalização. Existem muitas pessoas falando ao celular, o que aumenta o risco da gravidade do acidente em até 400%", ressalta.
Segundo a coordenadora de Educação para o Trânsito do Detran-PR, Juçara Ribeiro, usar o celular enquanto dirige ou prestar mais atenção nele do que no trânsito aumenta os riscos de ocorrer uma fatalidade. "O celular chama mais a atenção no trânsito do que o próprio trânsito", diz.
Outro problema está relacionado ao consumo do álcool antes de dirigir. "Além das campanhas educativas de rua fazemos abordagens nos bares da cidade. Realizamos o teste com o etilômetro e, de acordo com grau de álcool, distribuímos uma fita amarela, verde ou vermelha", explica Pacheco. Ele aponta que isso deve gerar um sentimento de que essa ação de beber ou não faz toda a diferença. "Eu escolho se quero exceder a velocidade, se quero beber e dirigir. Todas as ações estão ligadas àquela peça atrás do volante", aponta. Em 2016, a maior ocorrência de acidentes não fatais foi de pessoas com a faixa etária entre 18 e 29 anos (16.481 casos). Este é, segundo o Detran-PR, o grupo mais propenso a consumir álcool e dirigir. Sob o efeito do álcool, alguns motoristas podem alterar, além da percepção, a personalidade.

O Código de Trânsito Brasileiro determina que dirigir sob o efeito de álcool, falar ao celular ou enviar mensagens enquanto dirige são infrações gravíssimas. Na primeira o infrator perde 7 pontos na Carteira e recebe multa de R$293,47. Na segunda, perde 12 pontos e multa de R$586,94.
No final de 2016, por causa do elevado número de atropelamentos de pessoas da terceira idade, a CMTU realizou um trabalho educativo com essa população. "Orientamos de forma didática como a terceira idade deveria fazer para atravessar a rua. Isso fez reduzir 50% dos atropelamentos nessa faixa etária", garante.
MOTOS
Do total de acidentes com veículos envolvendo vítimas no Paraná em 2016, 32% foram com motocicletas (20.105 casos), conforme dados do Detran. O SUS aponta que desse total 3.656 geraram internamentos e 642 resultaram em morte do condutor, colocando-as em segundo lugar no ranking dos acidentes. De acordo com Pacheco, levantamento da CMTU aponta que houve queda no número de acidentes fatais no primeiro quadrimestre de 2017 em comparação a igual período de 2016. "Entre os motociclistas esse número caiu 38% (11 neste ano contra 18 em 2016)", explica. A volta da fiscalização eletrônica foi um dos fatores que contribuíram para essa redução, segundo ele. "Desde que instalamos radares na Avenida Dez de Dezembro, em abril 2016, até agora não teve nenhum acidente com morte no trecho. Ali também implantamos a padronização da velocidade, que queremos estender para outras vias da cidade. Isso faz com que a ultrapassagens sejam reduzidas e consequentemente há a redução dos acidentes", aponta.
O operador de empilhadeira Marcos Sérgio França dos Santos anda de moto há 25 anos e já foi vítima de acidente. "Estava na Avenida Duque de Caxias, quando um carro virou sem ligar a seta. Eu caí, mas graças a Deus só ralei o braço. A gente fica preocupado porque qualquer batida pode resultar em óbito", observa.
O diretor da CMTU observa que a economia do País empurra a população a fazer serviços de transporte alternativo e, consequentemente, "joga pessoas despreparadas para vivenciar esse trânsito intenso". "As motos representam o maior volume de acidentes em Londrina. Não é um problema só de Londrina. Temos realizado ações de conscientização, de blitz educativa em determinados períodos, mas não conseguimos padronizar o comportamento para evitar acidentes", afirma.


