VIOLÊNCIA - Ex-namorada do GM sofreu agressões e ameaças por mais de um ano
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quarta-feira, 05 de abril de 2017
Simoni Saris<br>Reportagem Local 
A publicitária Rachel Espinosa foi uma das duas mulheres que conseguiram escapar da morte na última segunda-feira (3). Ela é ex-namorada do guarda municipal Ricardo Leandro Felippe, que, segundo a polícia, invadiu a casa dela e atirou contra seu avô, seus pais e seus dois filhos. O mais velho, Vitor Espinosa Gouveia Siena dos Reis, de 16 anos, morreu no local.
Rachel começou a namorar o guarda municipal em 2014. O relacionamento durou um ano e meio, mas ela contou que foi somente após os primeiros seis meses de namoro que o parceiro revelou sua agressividade. Durante um ano, ela conta ter sido vítima de "agressões físicas, verbais, morais e psicológicas". O namoro chegou ao fim em maio de 2016, mas mesmo após o término do relacionamento, as agressões e ameaças continuaram. "Toda semana eu estava no Ministério Público denunciando essas agressões. Toda semana eu levava provas à promotoria."
Apesar da crueldade demonstrada por Felippe na segunda-feira, quando aconteceram os dois homicídios e quatro tentativas de assassinato, Rachel disse não ter ficado surpresa com a atitude. "Sempre achei que ele fosse capaz de fazer o que fez. Não é de agora. Tenho e-mails que mostram as ameaças que ele fez a mim em 2016. O último e-mail é de agosto. Nesse tempo eu comecei a namorar e ele falou que se visse fotos minhas com outra pessoa onde eu aparecesse feliz, se ele soubesse de algo assim, ia dar um jeito de acabar (com a situação). Ele chegou a me dizer que iria acabar com a vida do meu namorado para eu me sentir culpada", contou.
Rachel também disse que chegou a se aproximar da atual companheira de Felippe, com quem conversava com certa frequência. "Ele começou a namorar ela e já com um mês de relacionamento as agressões físicas e morais começaram. Ela sabia o que eu tinha passado e queria alguma ajuda, alguma palavra."
Ela contesta as alegações da defesa de Felippe de que ele teria praticado os crimes em decorrência de efeitos do medicamento controlado que toma para tratar de depressão. "A sanidade mental dele é ótima. Se não fosse, não teria planejado tudo isso", avaliou.
Na segunda-feira, segundo a polícia, Felippe invadiu a casa de Rachel com o intuito de matá-la. Ela conseguiu proteger-se dentro de um armário, mas o ex-namorado acabou atirando contra seus familiares. O avô, a mãe e o filho mais novo sofreram ferimentos leves. O filho mais velho morreu no local e o pai está internado na UTI do Hospital Evangélico em estado gravíssimo.
Rachel responsabiliza a Guarda Municipal pelos crimes. "Sabendo de todo o contexto, a Guarda Municipal foi totalmente falha em não verificar no momento em que ele saiu do ambiente de trabalho para ver se ele estava levando a arma junto. Ele só tinha o porte de arma dentro da instituição. A Guarda Municipal estava bem ciente de tudo o que estava acontecendo."
Por diversas vezes, disse Rachel, ela procurou a corporação para queixar-se da conduta de Felippe. "Eles sempre me diziam que não poderiam fazer nada, que a área de atuação deles era só administrativa. Me falavam para ir ao Ministério Público e eu fui, várias vezes." Na terça-feira, o secretário municipal de Defesa Social, Evaristo Kuceki, havia afirmado que foi procurado por Rachel e que teria a aconselhado a fazer uma denúncia ao MP. Kuceki também disse que tomou todas as medidas que estavam ao seu alcance.
O advogado disse que o Ricardo era inofensivo
A promotora da Vara Maria da Penha de Londrina, Susana Broglia Feitosa de Lacerda, confirma as inúmeras vezes em que atendeu a publicitária Rachel Espinosa no Fórum. Foi uma dessas denúncias que levou Susana a solicitar a restrição ao uso de arma de fogo pelo guarda municipal Ricardo Felippe como medida protetiva. A Justiça acatou o pedido no último dia 17 de março, o que revoltou o guarda municipal, que a partir de então só poderia andar armado enquanto estivesse em serviço.
"No dia 21, o advogado havia me procurado dizendo que o Ricardo era inofensivo e era para devolver a arma para ele. Ele queria a arma porque alegava que o Ricardo se sentia ameaçado. Em razão do trabalho dele, tinha muitos inimigos", comentou a promotora. "Diante do pedido do advogado, a juíza estava pedindo informações para a Guarda Municipal, mas não tinha concedido o porte de novo", disse Susana.
Em entrevista coletiva nesta quarta-feira (5), o advogado de Felippe, Luca Carrer, comentou o fato e chamou de calúnia a denúncia feita por Rachel que deu origem à medida protetiva. Segundo o advogado, a ex-namorada de Felippe estaria respondendo a um processo por calúnia. "Existe esse processo, mas eu nem esquentei minha cabeça com ele porque não tem base nem fundamento nenhum. Todas as minhas denúncias são baseadas em provas", justificou Rachel.
Felippe tem três filhos de um relacionamento anterior e vivia atualmente com a mulher, cuja sócia ele teria assassinado na segunda-feira. A atual companheira não estava em seu local de trabalho porque naquele momento estava no Fórum denunciando uma agressão sofrida por ela no dia anterior, provocada pelo guarda municipal, segundo informações do MP. "Ele deu uma surra nela no domingo porque ela publicou no Whatsapp uma foto em que ela aparecia sozinha, sem ele", disse a promotora. (S.S.)


