VIOLÊNCIA - Assassinato de taxista revolta colegas
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 16 de julho de 2002
Phoenix Finardi<br> Reportagem Local 
O taxista Nelson Dias Paião, 59 anos, foi morto com três facadas na noite de segunda-feira durante um assalto no Patrimônio Espírito Santo (zona sul de Londrina). O carro dele, um Gol branco, foi encontrado ontem de manhã numa estrada vicinal entre os distritos de São Luis e Guaravera.
O assalto começou pouco antes das 22 horas quando dois adolescentes abordaram o taxista no ponto onde ele trabalha, em frente à prefeitura (zona sul), e pediram para ser levados até o Patrimônio Espírito Santo. Sem desconfiar de nada, Nelson concordou com o serviço e saiu. Logo depois, preocupado com a demora do colega, um outro taxista que trabalha no mesmo ponto ligou para a Central Faixa Azul e avisou que Nelson havia saído da cidade. A operadora da central ficou alarmada ela havia transmitido um comunicado minutos antes avisando que dois suspeitos haviam tentando contratar uma corrida em outros três pontos de táxi e ninguém quis levá-los.
Ela imediatamente chamou Nelson pelo rádio. Ele respondeu e disse que estava tudo bem. Foi a última vez que ela conseguiu falar com ele. Cinco minutos depois, quando a chamada foi repetida, o rádio estava mudo. A operadora então avisou a Polícia Militar (PM), mas logo em seguida um soldado do Corpo de Bombeiros comunicou que o Siate havia encontrado o corpo de um homem esfaqueado no patrimônio. Era o taxista. Ele foi morto com duas facadas nas costas e outra no peito. Os ladrões haviam levado o carro e a carteira com documentos e aproximadamente R$ 30,00 (pela estimativa dos colegas da vítima).
Mesmo ferido, Nelson ainda conseguiu caminhar cerca de 30 metros pedindo socorro. Vários moradores ouviram os gritos dele. O taxista pediu ajuda na casa do frentista Helio Caires, que chamou o Siate. Quando a ambulância chegou, ele já estava morto.
Nelson era taxista desde 1990. Ele estava trabalhando na Central de Radiotaxi Faixa Azul há pouco mais de um mês. O gerente da Central, Pedro Facaro, não conseguia entender porque o taxista concordou em fazer a corrida: ''Ele certamente não ouviu o alerta passado pela operadora mas, mesmo assim, ele era um motorista experiente e não entendo como concordou em levar dois desconhecidos para a zona rural numa hora daquelas''.
A polícia agora vai ouvir os outros taxistas que recusaram a corrida para tentar identificar os dois suspeitos de terem matado Nelson. O carro dele, que foi abandonado em uma estrada de terra, passou por uma perícia da polícia técnica, mas nenhuma pista foi encontrada. Ele tinha duas filhas, de 28 e 25 anos.


