Violador despreza o que é sagrado, diz psicanalista
A necrofilia é uma perversão sexual que pode estar escondida atrás do perfil de uma pessoa comum. Pode ter sido qualquer um. Descobrir quem foi vai ser um trabalho difícil, diz o médico e psicanalista, Marcelo José de Castro. É impossível traçar o perfil de uma pessoa que sofre desta perversão. Não existe um trabalho que aponte, estatisticamente, se o problema atinge mais homens ou mulheres, por exemplo, esclarece. Castro analisa, no entanto, que quem violou os túmulos demonstrou um desprezo brutal pelas normas sociais e pelo sagrado.
Ele explica que, para a psicanálise, importa menos se a pessoa chega ou não a ter relação sexual com o morto. Se a pessoa só sente prazer em lidar com um cadáver já é considerado um necrófilo, diz. Outra característica do necrófilo está no fato de ele não aceitar que está doente e, por isto, não buscar tratamento.
No ato da necrofilia, o perverso se identifica com o cadáver e isto está inclusive expresso de forma sutil na cultura humana. Ele cita como exemplos as histórias de vampiros e de Frankestein. São mortos-vivos que remetem à necrofilia escondida atrás de um romance. São a personificação do medo que temos dos mortos e de seus poderes ocultos aos nossos olhos, resume. Outra variante próxima à necrofilia, diz, é a prática do canibalismo em algumas comunidades primitivas. Nessas sociedades, isso não era uma perversão.
Nestas comunidades, explica, as pessoas comiam partes dos mortos acreditando que, com isto, estariam tomando para si os poderes e virtudes deles. Mesmo que o crime tenha sido praticado com o objetivo de usar os órgãos sexuais dos mortos para um ritual de magia, o criminoso poderá estar buscando o poder que acredita estar nos mortos. É necrofilia, afirma. (C.B.)





