Mais de 20 detentos, entre eles suspeitos de roubo, tráfico de drogas e homicídio, estão foragidos da 30 Delegacia Regional de Arapongas (37 km a oeste de Londrina). A fuga ocorreu no final da tarde de anteontem, dia de Natal.
Os presos se aproveitaram da falta de funcionários na delegacia, devido ao feriado, e renderam o único plantonista responsável pela carceragem. O investigador, que preferiu não ser identificado, havia acabado de servir o jantar e buscava água para os detentos. Nesse intervalo, um grupo saiu por um buraco previamente aberto na porta de acesso ao corredor e foi de encontro ao funcionário, que ainda tentou reagir. Armados de estoques, os presos feriram o investigador e o prenderam em uma das 10 celas da carceragem, junto com a cozinheira da delegacia. Em seguida, abriram as demais celas.
''Só não fugiu quem não quis'', contou o delegado de Arapongas, Valdir Abraão, que tomou o depoimento do plantonista ontem e repassou os detalhes da fuga para a reportagem da Folha. Havia 52 presos no local, que tem capacidade para 34. Vinte e sete deles escaparam. Vizinhos que presenciaram o movimento avisaram a Polícia Militar. Na mesma noite, os PMs capturaram seis fugitivos. Até a tarde de ontem, a polícia tinha recapturado mais um.
Nos últimos meses, várias tentativas de fuga e pequenas rebeliões tiveram de ser contidas pela polícia de Arapongas. A última fuga efetivada aconteceu em maio deste ano. O delegado nega que o constante excesso de presos no local seja o motivo dessas ações. ''Cinquenta e dois presos é um número satisfatório para se trabalhar, não caracteriza superlotação'', sustenta.
Abrãao alega que a estrutura física da delegacia é incompatível com o trabalho de segurança ao qual se destina. ''É uma cadeia antiga. Os presos aproveitam a fragilidade da estrutura e arrancam hastes de ferro das camas e paredes, feitas de concreto armado, para improvisar armas'', explica. O delegado observa ainda que os líderes da fuga deste Natal são os mesmos que renderam funcionários em outubro e tentaram fugir, sem sucesso. ''São pessoas de índole criminosa, irrecuperáveis, que incitam os outros presos'', conclui.
As polícias Civil e Militar, com reforços de Rolândia (25 km a oeste de Londrina), continuam buscando os foragidos. Eles estão de posse de um revólver e uma motocicleta roubados do plantonista da delegacia. Quem tiver informações sobre o paradeiro dos detentos, pode ligar para os telefones (43) 252-0100 ou 147 (Disque-Denúncia).

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