Vinho para quem gosta de vinho
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 09 de setembro de 2009
Mie Francine Chiba <br> Especial para a FOLHA 
O vinho tem fama de ser bebida complicada. Mas para apreciá-la não é exigência ser um profundo conhecedor do assunto, um sommelier que estudou e se especializou em vinhos ou um enólogo, que é o profissional responsável pela elaboração da bebida, formado em Enologia ou com especialização no assunto. Basta ser um enófilo. Como designa Luiz Grott, enófilo curitibano conceituado, enólogo é o indivíduo que perante o vinho toma decisões. Enófilo é o indivíduo que perante as decisões, toma vinho.
Com um pouco de conhecimento prévio, é possível fazer as escolhas certas na hora de comprar a bebida. A atendente da adega de um supermercado da cidade, Patrícia Pereira Soares, conta que lá entram pessoas com pouco conhecimento e com muito conhecimento sobre vinhos.
Há um ano, quando começou a trabalhar na adega, a própria Patrícia, 21, não sabia quase nada sobre a bebida. Nem sabia que havia uma variedade tão grande. Foi aí que ela mergulhou no mundo dos vinhos e, mesmo sendo avessa a bebidas alcoólicas, hoje dá indicação aos clientes. Segundo afirma, até hoje, nenhum deles se decepcionou com a compra. Aprendi lendo os rótulos das garrafas, com livros, revistas e internet, conta. Isso é o que ela também recomenda para quem como ela, no início não entende de vinhos e quer comprar e saborear.
A quem prefere os vinhos menos fortes, Patrícia costuma recomendar os produzidos com a uva Syrah (ou Shiraz), Tempranillo ou Pinot Noir. Para os adeptos dos mais fortes, ela indica os da uva Malbec ou Cabernet Sauvignon. O tinto suave, no entanto, geralmente não é uma opção em adegas. Em uma adega você nunca vai achar um tinto suave, porque o apreciador da bebida gosta do vinho tinto seco. Apesar disso, a exemplo de onde ela trabalha, é possível encontrar algumas poucas opções desse vinho para agradar todo tipo de cliente.
No momento de presentear alguém, na dúvida, nada melhor que um vinho da uva Carmenère, diz a atendente, por ser nem tão forte nem tão fraca. Mas se já se sabe que o presenteado é um entendido em vinhos, as melhores opções são as uvas chefes de cada país, como a Cabernet Sauvignon do Chile, a Malbec da Argentina ou a Sangiovese da Itália, enfatiza. E como sobremesa, o vinho do Porto cai bem, sozinho ou com chocolate.
Ao vasculhar as prateleiras, não é preciso atentar-se a preço para adquirir uma bebida de melhor qualidade. Um vinho de 79 reais foi considerado o melhor vinho chileno, enquanto outro de 102 ficou abaixo dele, lembra
Patrícia.


