'VINHO DA ALMA' Frequentadores da União do Vegetal tomam Ayahuasca para encontro com Deus
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terça-feira, 16 de novembro de 2010
Bruna Soares e Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
É numa casa simples, de madeira, no sopé de um sítio ladeado por morros na zona norte de Londrina, que se reúnem nas tardes de domingo os membros da União do Vegetal, religião que, assim como o Santo Daime, faz uso do chá Ayahuasca, o ''vinho da alma'' para a cultura Inca Sentados informalmente próximos uns dos outros, eles rezam um Pai Nosso e uma Ave Maria Em seguida, tomam a bebida dando início a um período de quase três horas de meditação e de ampliação da percepção em busca de si próprio
Como religião organizada, a União do Vegetal surgiu no início da década de 1960 em Rondônia, na região amazônica, pelas mãos do seringueiro José Gabriel da Costa, o Mestre Gabriel Sua doutrina se volta para a prática do bem ao próximo e para a busca da evolução espiritual, aliando princípios reencarnacionistas e ensinamentos cristãos
Em Londrina, quem conduz as reuniões é o ex-militar e bancário aposentado José Pilla, 73 anos, que conheceu o chá há mais de 30 anos no núcleo fundado pelo mestre Gabriel Hoje, ele cultiva o cipó mariri (que representa a força masculina) e a chacrona (que representa a luz feminina) e prepara o chá no sítio onde acontecem as reuniões ''O homem atual é atrofiado pelo telefone, TV, computador Foi perdendo os sentidos e se distanciando de Deus A Ayahuasca devolve essa possibilidade e tira traumas de infância, tensões, fobias, recalques, vícios Tudo isso vem à tona e a pessoa pode, então, resolver seus problemas psicologicamente'', fala ele
A comprovação vem dos relatos de quem frequenta as sessões A auxiliar odontológica Letícia Aparecida de Oliveira conta que desde o primeiro contato em 2008, observou significativas mudanças em sua vida ''Saí cedo da casa de minha mãe, morei sozinha por um tempo e me envolvi com drogas e prostituição Isso culminou com minha prisão em 2005, quando percebi, anos depois, que precisava mudar'', revela
Ela conheceu a União do Vegetal por meio de um amigo, que apresentou a Ayahuasca como um ''contato direto com Deus'' ''Aos poucos descobri muitos defeitos em mim, muitas coisas que não traziam progresso algum Decidi me dedicar e hoje, além de eliminados os vícios, comecei a me sentir equilibrada, consciente e mestra de mim mesma, acreditando em um recomeço legítimo de minha evolução como mulher'', atesta Letícia


