Londrina – Para a coordenadora do Centro de Referência Especializado da Assistência Social (Creas) 3 de Londrina, Adriana Aparecida dos Santos, o vínculo de confiança e afeto facilita o abuso por parte dos pais, padrastos, avôs e outros parentes". "Eles passam boa parte do tempo com as crianças e muitos são responsáveis pelos cuidados com elas", destaca. Por isso, aponta, observar o comportamento dos pequenos para identificar possíveis casos de abuso é muito importante.
Dos casos atendidos pelo serviço, a maior incidência de relato de abuso sexual é entre 9 e 12 anos de idade. "Não significa que acontece exatamente nessa faixa, pode ter acontecido antes, mas é nesta idade que a criança começa a ter noção do que é errado e cria coragem de contar para alguém. Muitas vezes ela não sabe distinguir o que é carinho de verdade do que é abuso, já que o agressor é um familiar. Ou ela sabe que é errado, mas tem medo de contar", explica. ressalta.
Adriana destaca quem embora o número de casos seja estável, estudos apontam que a cada caso notificado outros sete a dez não o são. Por isso é importante que a comunidade denuncie sempre que suspeitar que algo esteja acontecendo. "Não denunciar é omissão e pode prejudicar a criança ainda mais. O enfrentamento da violência passa por toda a rede: assistência, educação, saúde, cultura. A escola tem denunciado bastante e a família também. Felizmente grande parte das mães toma a iniciativa, são poucas que preferem ignorar. É preciso ser rápido na denúncia, para evitar danos maiores. Cerca de 5% das vítimas contraem doenças sexualmente transmissíveis e é necessário iniciar o tratamento o quanto antes", reforça.(E.G.)

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