Ivatuba Moradores da Vila Rural de Ivatuba (38 km de Maringá) estão desesperados com o acúmulo de problemas ocasionados pela falta de estrutura no local, além da inadimplência e ocupação irregular de algumas casas. Dois moradores receberam ameaças de morte e estão preocupados ainda com ações de despejos contra vileiros. O ex-presidente da associação de moradores Idevaldo de Paulo Ribeiro, 31 anos, afirma que as ameaças ocorrem por pressão política e por causa de denúncias pelas irregularidades constatadas na Vila Rural.
Além de Ribeiro, o vileiro Márcio Roberto Santos, 23 anos, também registrou na polícia uma ocorrência de ameaça de morte. Santos conta que sua casa foi invadida e desconhecidos deixaram um bilhete para ''que ele tomasse cuidado''. O vileiro ocupa uma casa sem contrato e diz que algumas autoridades do município impedem a regularização para privilegiar a ocupação por pessoas que trabalham como cabos eleitorais de políticos. ''Sabemos que algumas pessoas que ocuparam casas conseguiram regularizar a situação'', afirma.
Ribeiro e Santos contam que a Vila Rural ostenta uma série de irregularidades, como a distribuição de casas sem sorteio, discriminação entre famílias, falta de assistência técnica, desvio de calcário, além de construções feitas com material de baixa qualidade, provocando rachaduras e infiltrações nas paredes das 43 unidades do local.
A maioria das casas da vila é ocupada por bóias-frias e trabalhadores domésticos que buscam na cidade ou em fazendas vizinhas o sustento da família. Um dos casos de despejo envolve a vileira Arminda Bonfim, 61 anos, que mora com um neto. Arminda não tem renda e se alimenta com o feijão, milho, batata-doce e mandioca que ela mesma planta na área. ''Se me tirarem fica difícil porque pelo menos aqui eu tiro alguma coisa para comer'', diz a vileira.
Segundo informações da chefia do escritório regional da Cohapar em Maringá, as soluções para os problemas nas vilas rurais ''são ainda inexistentes''. Além do alto índice de inadimplência, as unidades das vilas rurais não são consideradas módulos rurais e também enfrentam resistência para a urbanização porque se a responsabilidade for do município haverá cobrança de IPTU e o fim de subsídios para as contas de água e de luz.
O escritório da Cohapar abrange 26 vilas distribuídas em municípios vizinhos de Maringá. Ao todo são 1.404 casas, sendo que 489 vileiros estão inadimplentes com as prestações. Vilas rurais, como a de Uniflor (49 km de Maringá) tem índice de inadimplência superior a 71%. Os moradores não conseguem sobreviver no local e a maioria repassou as casas por meio de ''contratos de gaveta''.

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