Vilas Rurais mostram boa produção
Arquivo Folha
Nova vidaNova Ucrânia: maior produção de milho e feijão. Na foto de baixo, Ailton do Amaral, da Vila Félix Lerner, Toledo
As boas colheitas do Paraná chegaram também às 28 vilas rurais já concluídas, que comemoram o bom desempenho da safra de verão 96/97. O cultivo nas vilas rurais tem acompanhamento permanente de técnicos da Emater e todas elas, além de produzir para subsistência, comercializam o excedente.
Um dos bons exemplos de desempenho é a Vila Rural Barbosa Ferraz, em Campo Mourão. As famílias residentes produziram 9,425 toneladas de milho, 2,78 toneladas de arroz, 3,313 toneladas de feijão, 1,811 toneladas de amendoim, 250 quilos de mamão, 780 unidades de melancia, 60 quilos de abobrinha verde, 42 dúzias de ovos, 100 quilos de bananas, 130 unidades de vassouras, 314 quilos de batata doce, 20 quilos de alho e 5.070 metros quadrados de horta. Os agricultores colheram também cana, abacaxi, banana e mandioca.
A maior produção de milho e feijão foi da Vila Rural Nova Ucrânia, em Apucarana, com 46,8 e 10,8 toneladas, respectivamente. As famílias dali também produziram 26 toneladas de mandioca, 26 toneladas de batata doce, 5,85 toneladas de banana, 1,44 toneladas de arroz, 2,16 toneladas de carne de frango, 4,5 toneladas de carne de porco e 1 mil unidades de vassouras.
A Vila Rural Félix Lerner, em Toledo, colheu 33,75 toneladas de milho e ainda mandioca, batata doce, arroz, feijão, quiabo, melancia e amendoim. A produção foi 15% maior que no ano passado e estima-se um crescimento mínimo de 20% para a próxima safra.
Na Vila Rural de Monte Alto, em Paranacity, cada família produziu em média 109 quilos de feijão, 829 quilos de milho, 45 dúzias de ovos, 50 frangos e 150 metros quadrados de horta.
Todas as famílias participaram de cursos de hortaliças caseiras, conservas caseiras, produção artesanal de artigos de higiene e limpeza, educação alimentar, panificação e de confecção de tapetes de barbantes.
Com os rendimentos da produção agrícola, dezenas de famílias compraram seus primeiros eletrodomésticos. Pela primeira vez elas conseguiram produzir para o consumo próprio e comercializaram o excedente, o que contribuiu para elevar o nível de renda e a possibilidade de adquirir equipamentos, que antes eram apenas um sonho na vida dessas pessoas, analisa Valter Pegorer, ex-prefeito de Apucarana e coordenador das vilas rurais.
Elas são o maior programa de assentamento rural do País, inédito em sua forma de produzir soluções para a questão agrária e já chegou a um terço dos municípios do Paraná, diz o Secretário da Habitação e presidente da Cohapar, Rafael Dely.
O governo estadual está implantando mais 143 vilas rurais, outras 97 estão em fase de obras físicas e 46 estão com projetos prontos ou em finalização. Segundo Rafael Dely, há também 65 projetos em fase de simulação - estudos de ocupação de áreas que poderão ser adquiridas. O programa beneficia 126 municípios onde há maior concentração de trabalhadores rurais volantes (bóias-frias), que são o público alvo.
Outros 200 municípios também estão pleiteando o financiamento estadual para a compra de terras. Destes, 187 já indicaram as áreas que pretendem adquirir. Em 135 municípios as áreas já foram compradas e as outras serão adquiridas até completar a meta de 200 vilas rurais este ano. O financiamento para compra dessas terras faz parte de um pacote financeiro em que o governo estadual repassa 65% do valor da terra (saldado em 48 vezes com seis meses de carência) e o município 10%.
O Estado e o município dividem também as responsabilidades pelas obras de infra-estrutura, mas é a Cohapar quem executa o programa em conjunto com a Secretaria de Agricultura e Abastecimento - que é quem dá toda a assistência técnica aos moradores das vilas. Um total de oito mil lotes já estão garantidos, beneficiando 42 mil pessoas. A meta é atender 50 mil famílias até o final de 98, em um investimento estimado em R$ 420 milhões.





