Vila Zumbi tem sete anos e abriga 3.000 famílias pobres
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quarta-feira, 14 de janeiro de 1998
Curitiba 
Marcelo AlmeidaEsgoto a céu aberto na Vila Zumbi contamina poços dáguaMuitos moradores da Vila Zumbi dos Palmares, em Colombo, desistiram de esperar pela regularização dos terrenos e estão tentando vender as casas construídas em área invadida. Enquanto isso, eles convivem com a falta constante de água, coleta de lixo deficiente e esgoto a céu aberto. A maioria comprou os terrenos irregulares ou barracos de invasores, aceitando o risco para fugir do aluguel. Quem pôde aterrou os lotes e até um pouco das ruas, colocou manilhas e melhorou as casas.
A Vila Zumbi é uma das invasões mais antigas de Colombo, e ainda está em situação irregular. A ocupação aconteceu há sete anos e atualmente 3 mil famílias vivem na área, que já fez parte da chamada indústria das invasões. Os moradores garantem que hoje isso não acontece mais. Quem está vendendo os terrenos é porque se cansou de esperar pela regularização, diz o aposentado Dario Batista de Oliveira, de 70 anos. Ele garante que não vai desistir. Há dois anos, Oliveira foi trazido por seus filhos de Telêmaco Borba (região central do Paraná), onde morava num terreno próprio, e comprou o direito de posse de uma área na Vila Zumbi por R$ 1.000,00.
Marcelo AlmeidaCássia invadiu a área há sete anos e agora quer ir embora
A mulher de Oliveira, Emirena Maciel de Oliveira, de 65 anos, já se cansou de passar até três dias sem água. As casas são abastecidas pela Sanepar, mas, como não têm relógio, o fornecimento é irregular. A água do poço, construído ao lado da valeta onde corre o esgoto a céu aberto, é contaminada. O lixo fica empilhado várias semanas, porque o caminhão de coleta nem sempre consegue entrar nas ruas mais estreitas.
Lourdes Lima Santos Rabis, de 33 anos, chegou à Vila Zumbi há quatro anos com o marido e três filhos pequenos. Como não conseguiam pagar aluguel, resolveram assumir o risco e compraram o direito de posse do terreno por R$ 250,00. Aos poucos aterraram o lote e colocaram manilhas. Lourdes diz que tem apenas um recibo dado pela associação de moradores e que vai esperar até o fim pela regularização. Não temos alternativa, não podemos pagar aluguel, diz.
Cássia Lopes, de 35 anos, chegou com o marido e um bebê há sete anos. Eles faziam parte do grupo que ocupou os terrenos com barracos de lona. Ela conta que agora poucos deles ainda estão no local. Mesmo tendo construído uma casa de alvenaria na rua principal e também uma marcenaria, onde o marido trabalha, Cássia quer sair da Vila. A família, assim como dezenas de moradores, já colocou uma placa, mas considera difícil conseguir vender por R$ 15 mil um imóvel sem registro. (M.K.)


