Vila Yara ameaça fazer manifestação por obra na BR-369
Lino Ramos
De Londrina
Os moradores da Vila Yara, na zona norte de Londrina, ameaçam realizar um protesto caso as autoridades não apresentam propostas satisfatórias para melhorar a segurança na Avenida Brasília (BR-369). No dia cinco de dezembro, o adolescente Diego Bueno, de 13 anos, foi vítima de atropelamento, e acabou morrendo, quando tentava atravessar a rodovia.
Ontem à tarde, os moradores se reuniram no Núcleo de Direitos Humanos Diego Bueno e cobraram das autoridades medidas para melhorar a segurança dos pedestres que precisam atravessar diariamente a rodovia. Um grupo de 100 pessoas, entre parentes e amigos do menino esteve reunido com representantes do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), Departamento de Estradas de Rodagem (DER), Polícia Militar, Centro de Direitos Humanos (CDH) e Concessionária Econorte, mas não ficaram satisfeitos com a reunião.
O coordenador do Centro de Direitos Humanos de Londrina, Jorge Custódio, disse que o presidente do Ippul, João Batista Bortolotti, apresentou aos moradores um estudo para a construção de uma trincheira permitindo que a BR-369 passe sob a Avenida Dez de Dezembro, além de uma passarela. Mas não foi dada uma previsão de prazo para o início da obra. A idéia é boa mas não se sabe de onde virão os recursos, comentou Custódio.
O advogado disse ainda que os moradores pedem a construção imediata de um quebra-molas e a melhoria da sinalização no trecho urbano da rodovia. O representante da Econorte prometeu encaminhar a solicitação à direção da concessionária. A companhia de Trânsito se comprometeu em colocar policiamento no reinício do período escolar.
Na avaliação da presidente do Núcleo de Direito Humanos, Maria Aparecida Silva Cardoso, 41 anos, os moradores devem organizar uma passeata porque não ficaram satisfeitos com o resultado do encontro. Não ficamos satisfeitos, antes da passarela ficar pronta pedimos policiamento e um quebra-molas. Eles (a Ciatran) deram certeza só quando as aulas retornarem. Precisamos de um policial para já, o quebra-molas para hoje, criticou.
Segundo a presidente da entidade, diariamente as famílias da Vila Yara precisam atravessar a rodovia para terem acesso à farmácia, escola e posto de saúde. Maria Aparecida Silva Cardoso disse ainda que a passarela precisa ser projetada para atender deficientes físicos e idosos. Quanto vai custar a passarela? R$ 500 mil? E uma vida custa quanto?, questionou a dona de casa.
Maria Aparecida Cardoso disse que os moradores irão fazer uma nova manifestação, provavelmente uma passeata. A gente vai agitar mais um pouquinho, ironizou. No dia seis de dezembro, uma manifestação pela morte do menino Diego Bueno foi reprimida com violência pela Tropa de Choque da Polícia Militar.
O comandante-geral da Polícia Militar do Paraná, Guaraci Moraes de Barros, reconheceu que a PM usou balas de borracha de forma indiscriminada e violência excessiva. Segundo ele, os policiais com capacetes de viseira e escudos para se proteger de pedras, atiraram em cidadãos comuns de forma constrangedora.Moradores pedem construção de quebra-molas e sinalização da rodovia
Arquivo FolhaDÚVIDACustódio, advogado do CDH: Não foi dada uma previsão de prazo para o início da trincheira e da passarela. Idéia é boa mas não se sabe de onde virão os recursos





