Vila tem 50% de adultos analfabetos
Emerson Cervi
De Curitiba
Uma pesquisa de campo sobre leitura de adultos para a tese de doutorado da professora de Educação da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Esméria de Lourdes Saveli, constatou que cerca de 50% da população acima de 15 anos da Vila Lina, no Bairro da Ronda, em Ponta Grossa, é analfabeta.
A vila, formada por famílias de baixa renda migrantes de várias regiões do interior do Estado, tem cerca de 350 casas e fica a 500 metros do prédio da prefeitura municipal. Essa amostragem em uma vila quase central e que não é formada por favelas mostra que a situação nas periferias mais distantes da cidade pode estar com índices alarmantes de analfabetismo e ninguém se preocupa com isso. disse ontem a professora. A média nacional de analfabetos absolutos é de 10% da população adulta.
A pesquisa, feita no primeiro semestre desse ano, dará origem a um projeto piloto de alfabetização de adultos. A partir de agosto, Saveli coordena um grupo de estudos com professores voluntários que alfabetizarão os adultos da Vila Lina. As aulas começam em setembro. Vamos contar com professores aposentados, que estão na plenitude de sua força de trabalho, contou. O projeto pretende conseguir alfabetizar adultos em 90 dias. O professor Paulo Freire aplicou esse mesmo método em Angico, Pernambuco, nos anos 60 com bons resultados. Segundo ela, o método Paulo Freire não é muito usado no país porque ele remete aos problemas vividos pelas populações carentes.
A partir da segunda quinzena de setembro os professores voluntários passarão duas horas por dia na Vila Lina. O projeto não tem nenhuma ligação com grupos políticos, que até hoje fizeram pouca coisa para melhorar a qualidade de vida daquelas famílias, sentenciou Esméria Saveli. A professora pretende criar uma Organização NãoGovernamental (ONG) para dar continuidade ao projeto depois que o trabalho na Vila Lina for encerrado, em dezembro.
Outro dado interessante da pesquisa é que 20% dos analfabetos adultos daquela vila não tem interesse em aprender a ler e escrever. Na maioria dos casos essas pessoas tentaram se alfabetizar em programas oficiais, não foram bem sucedidas e desistiram. Os alunos do projeto de alfabetização serão voluntários. Não vamos obrigar ninguém a participar, mas esperamos que os bem sucedidos despertem a sensibilidade nos outros para que eles também participem, completou.





