Quase mil famílias de agricultores bóias-frias que antes não tinham nada e viviam marginalizadas, dependendo de ofertas esporádicas de trabalho, hoje têm casa com água e luz, serviço de saúde, escola e uma área para plantar nas vilas rurais já implantadas pelo governo. ‘‘É o resgate da cidadania do trabalhador rural’’, assegura o engenheiro agrônomo Agostinho Nunes de Freitas, coordenador do programa Vila Rural, pela Secretaria da Agricultura.
Ele conta que desde o início do programa, no ano passado, até agora, 22 vilas rurais foram implantadas no Paraná, com quase mil famílias recebendo uma casa de 44,5 metros quadrados com infra-estrutura básica dentro de um lote de 5 mil metros quadrados.
Outras duas vilas estão em fase de conclusão e mais 116 em início de obras. A meta é atender um total de 60 mil famílias em todo o Paraná até o final do governo. ‘‘Pela avaliação das vilas rurais já implantadas é possível dizer que o programa deu certo e que veio para ficar’’, avalia Freitas.
Ele conta que em todas as vilas já implantadas as famílias de agricultores estão sendo alfabetizadas e recebendo algum tipo de capacitação profissional através de cursos e treinamentos. Além disso, algumas vilas já têm projetos de expansão de trabalhos comunitários para ampliar a renda das famílias. É o caso da Vila Rural Félix Lerner, instalada em Toledo, no Oeste do Paraná, onde os agricultores têm um projeto para instalação de uma usina de processamento de açúcar mascavo.
O programa Vila Rural é coordenado em conjunto pelas secretarias da Agricultura e da Habitação. O público alvo do programa é o trabalhador rural voltante que sofre hoje pela falta de oportunidade de trabalho na entressafra, quando não consegue nem ao menos sustentar adequadamente sua família.
A vila rural permite ao trabalhador conciliar o trabalho fora, nas propriedades de outros produtores, na época de safra e quando não há oferta de emprego ele pode se dedicar à criação de pequenos animais e à comercialização do excedente de sua produção.
‘‘Mesmo que tenha dificuldade de encontrar trabalho fora em alguns meses do ano, a moradia e a alimentação da família estão garantidas através da produção obtida dentro da própria vila’’, explica Freitas.
O coordenador do programa pela Secretaria da Agricultura explica que cada vila rural tem, em média, 200 casas. A casa tem 44,5 metros quadrados, mas há a possibilidade de, depois, ser ampliada pelo próprio morador.
O terreno de 5 mil metros quadrados, equivalente a meio hectare, que cada família recebe, é suficiente para abrigar a casa e ainda manter uma plantação de lavouras de subsistência, como feijão, milho e hortaliças e a criação de pequenos animais, como frangos e porcos. O excedente da produção pode ser vendido como forma de aumentar a renda da família.
A proposta da vila rural é garantir moradia, infra-estrutura básica e acesso a saúde e educação. A idéia é que o agricultor e sua família tenham um lugar para morar e produzir para o sustento, mas que busquem no mercado de trabalho a renda principal. Dentro desta filosofia, as vilas rurais incluem também programas de profissionalização e treinamento da mãodeobra.
‘‘A proposta é garantir o básico para uma vida digna do trabalhador rural e sua família e prepará-lo para queele tenha chance de conseguir melhores oportunidades de trabalho’’, explica Freitas.

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