Representantes das 80 famílias que vivem na Vila Rural Esperança, Zona Sul de Londrina, foram à Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) na manhã de ontem para cobrar uma resolução para o aumento das parcelas pagas pelas casas populares. O valor das prestações subiu cerca de 215% desde 2002, quando a Vila foi criada, e muitas famílias estão deixando de pagar as mensalidades por falta de recursos, já que a renda média da população é de um salário mínimo.
Segundo o presidente da Associação de Moradores da Vila Rural, João Mario Nunes, a maior parte dos pais de família é bóia-fria e algumas mulheres trabalham como diaristas na cidade. ''A maioria não tem como pagar a parcela reajustada e alguns ainda nem pagaram a primeira prestação'', contou.
Trabalhando como agente de saúde, Nunes nunca atrasou uma conta, diferente da dona-de-casa Geralda Minas Lima, que vive apenas com o auxílio-doença que o marido recebe todo mês. ''Eu também tomo remédio controlado e gasto tudo na farmácia. Não sobra para pagar a casa'', disse Geralda, que já deixou de pagar quatro parcelas de R$ 68.
O bóia-fria Cleudir Eulálio dos Santos está com seis prestações atrasadas e como está desempregado, não sabe quando irá acertar a dívida. ''Na época em que a Vila foi criada, cada família iria receber cerca de R$ 1,4 mil em insumos para tocar uma pequena roça no terreno, mas este dinheiro nunca apareceu'', recordou Santos.
Para o ajudante geral Rubens Rufino, que já deixou de pagar duas parcelas de R$ 51,60, a Vila Rural Esperança está abandonada. ''Sem poder pagar, as famílias acabam deixando as casas, como aconteceu em outras vilas'', opinou. Segundo ele, apesar de ser uma das últimas vilas rurais a ser criada na região, a Esperança foi a primeira e única a ter a parcela reajustada.
A analista imobiliária da Cohapar, Rossana de Figueiredo, explicou que há um ano foi realizada uma reunião com os moradores para justificar os motivos do reajuste. Na época, eles possuiam apenas um termo de permissão de uso do terreno e por isso pagavam uma parcela provisória no valor de R$ 20,39.
''No ano passado eles receberam o contrato definitivo do terreno e passaram a pagar a prestação definitiva, que é de R$ 47,71'', explicou Rossana. Conforme ela, o valor da parcela não é o mesmo para todas as famílias porque é calculado de acordo com o tipo de seguro imobiliário determinado pelo morador. Enquanto uns pagam cerca de R$ 50, outros têm mensalidades de até R$ 70.
Ontem, os moradores entregaram um abaixo-assinado exigindo a revisão dos valores das parcelas, o qual Rossana prometeu encaminhar à diretoria da Companhia, em Curitiba. Ainda durante a reunião, ficou combinado que a Cohapar deverá apresentar uma resposta aos moradores dentro de um mês.
''Se não obtivermos resposta, vamos voltar e acampar por aqui até resolvermos a situação'', garantiu João Mario Nunes, que ainda na manhã de ontem seguiu com os vizinhos para a sede da Emater, para cobrar os recursos que deveriam ser utilizados na infra-estrutura e fomento da agricultura familiar da vila rural e que nunca chegaram às mãos das famílias. Conforme Nunes, foi marcada para a semana que vem uma reunião entre os moradores e os diretores da Secretaria de Agricultura do Paraná e da Emater para discutir a questão.

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