Há quatro dias, 47 famílias de bóias-frias da Vila Rural Alexandre Barão, no Distrito de Paiquerê (zona sul de Londrina), estão sem água tratada. A bomba do poço artesiano está com defeito e, na melhor das hipóteses, voltará a funcionar apenas em uma semana.
Enquanto isso, os moradores estão bebendo água de mina captada dentro de um rio barrento. Normalmente, a coleta dessa água tem sido realizada por mulheres e crianças que passam a maior parte do dia em casa. ''Ontem, eu quase caí no barranco. Se não fosse minha vizinha poderia ter me machucado'', disse a dona-de-casa Benedita dos Santos, que ontem de manhã já havia carregado 25 litros de água na cabeça. Assim como a maioria, Benedita tem aproveitado a chuva para lavar roupas e limpar a casa.
Mais sorte teve a família de Joana Rodrigues. Até agora, eles ainda não precisaram descer os dois quilômetros de ladeira que levam à mina. ''Temos um pouco de água na caixa e estamos economizando ao máximo'', explicou.
Segundo o presidente da Associação de Moradores Elson Quirino dos Santos, essa é a terceira vez em dois anos que a bomba é danificada. Para ele, a culpa é dos raios que atingem a casa de força durante as chuvas. ''A solução definitiva seria a Sanepar assumir a manutenção do poço, mas isso custaria muito para nós. Sabemos que em outras Vilas Rurais cada família paga de R$ 20,00 a R$ 50,00 por mês pela água. Aqui, o único gasto com o sistema é a energia elétrica consumida pela bomba. Com o rateio, pagamos cerca R$ 8,00'', justificou.
Para amenizar o problema, a prefeitura e a Sanepar estão abastecendo a vila com um caminhão-pipa. A água é guardada num reservatório de 15 mil litros e distribuída conforme a necessidade. Nesse caso, a dificuldade tem sido controlar o fluxo que é maior na área baixa da Vila Rural. De acordo com Santos, apenas 10% das famílias conseguem encher as caixas. ''Se a bomba estiver queimada, não sei o que vamos fazer. O dinheiro que recebemos mal dá para sobrevivermos.''
De acordo com o chefe regional da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar), Adil Segantin, a conta do prejuízo será paga pelo órgão, que também financiou as casas por 25 anos. Ontem à tarde, ele afirmou que a Sanepar já estava autorizada a retirar a bomba do poço que tem aproximadamente 80 metros de profundidade. ''Se for apenas um defeito, poderemos consertá-la em poucos dias. Mas, se tivermos que trocá-la, precisaremos de, no mínimo, uma semana e R$ 4 mil'', previu o engenheiro civil.
O sonho dessa comunidade, que surgiu há dois anos, é viver da agricultura. Cada família recebeu cinco mil metros quadrados de área que, por falta de irrigação, serve apenas às lavouras de milho, feijão e mandioca. Santos lembra que a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) se comprometeu a fazer um projeto, mas ainda não deu resposta. ''A intenção é que eles produzam excedente para conquistar autonomia'', arrematou.

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