Vila rural de Foz muda daqui a 90 dias
Valmir Denardin
De Foz do Iguaçu
A Prefeitura de Foz do Iguaçu anunciou que, em 90 dias, vai definir uma área para transferência da Vila Rural do município. Em reportagem publicada na edição de domingo, a Folha mostrou que o núcleo fracassou, por causa da escolha errada do local para sua implantação. O programa custou cerca de R$ 900 mil ao governo do Estado e à prefeitura.
A Vila Rural abriga 74 famílias e foi implantada há dois anos e três meses em uma área de 370 mil metros quadrados, na região norte de Foz. Desde o início do programa, o local apresentou uma série de problemas: está em uma região praticamente urbanizada, a apenas 12 quilômetros do centro da cidade, o que impede os moradores de criar animais e favorece o roubo da produção.
Além disso, os lotes destinados ao cultivo estão sob as linhas de transmissão de energia da Hidrelétrica de Itaipu. Moradores relatam que tiveram problemas graves de saúde depois de se instalarem no local. Um deles é o agricultor Antônio Elias Neuberger, 56 anos, que afirma estar sentindo tonturas e ânsia de vômito quando trabalha sob as linhas.
Segundo o diretor de Habitação da prefeitura, Celso Rios, o órgão está negociando a compra de um terreno de 11 alqueires (260 mil metros quadrados) para a transferência da Vila Rural. A área em estudo fica no Alto da Boa Vista, uma região onde predominam chácaras de lazer, a cerca de 20 quilômetros do centro da cidade.
O preço da área não foi divulgado pela prefeitura. Inicialmente serão transferidas ao novo núcleo as 20 famílias que, de acordo com Rios, estão insatisfeitas e querem deixar o local. Segundo a Folha apurou com moradores, o número de famílias que quer a transferência atinge pelo menos 50% do total.
A gerente regional da Companhia Habitacional do Paraná (Cohapar) em Cascavel, Carmem Lúcia Carvalho, disse que os lotes cultiváveis serão abandonados e as 74 casas do núcleo passarão a fazer parte do programa habitacional urbano da Cohapar.
Os moradores atribuem os problemas de saúde à exposição à radiação eletromagnética produzida pela energia transmitida pelas linhas. Por uma rede de cabos metálicos a uma média de 14 metros de altura do solo, passam 11,5 mil megawatts de energia. As casas ficam a uma média de 50 metros de distância da rede. Especialistas ouvidos pela Folha afirmaram que não há provas científicas de que a exposição de pessoas a esses campos possa provocar doenças ou algum dano à saúde.





