Marcos NegriniVila rural Yitzhak Rabin, homenagem de ex-prefeito de Iguaraçu a líder israelense morte em 96O que há de comum entre o município de Iguaraçu (34 km a oeste de Maringá) e Israel, no distante Oriente Médio? Errou quem pensou em uma colônia de israelenses que cultivam no município paranaense os costumes e as tradições do povo judeu. A única semelhança é a homenagem ao ex-primeiro ministro de Israel, Yitzhak Rabin, assassinado em 1996.
O nome do ex-líder das negociações de paz entre Israel e a Palestina é o mesmo dado à vila rural de Iguaraçu, que deverá ser inaugurada no mês que vem. A idéia de homenagear o ex-primeiro ministro de Israel foi do ex-prefeito de Iguaraçu, João Batista, também conhecido como Joba. Irreverente e defensor de idéias revolucionárias na região, Joba diz que escolheu o nome de Yitzhak Rabin para a vila rural por admiração pessoal ao ex-primeiro ministro de Israel.
‘‘Ele foi um líder mundial, alguém que conseguia enxergar muito além do seu tempo e teve coragem para brigar por um posicionamento de paz. Rabin foi um líder fantástico e, com certeza, daqui a 50 anos, quando se falar do século 20, o nome dele será lembrado’’, afirma Joba. Além da admiração, Joba explica que o nome da vila rural também representa a semelhança do projeto criado pelo governo do Paraná com as experiências desenvolvidas em Israel, onde a terra é explorada de forma comunitária nos chamados kibutz.
Marcos NegriniLuzia Martins Trugilio Oliva, 25 anos: sem idéia de quem foi Rabin, que dá o seu nome ao bairro
O ex-prefeito queria que o nome de Yitzhak Rabin fosse uma referência às famílias que moram na vila rural. ‘‘Eu sonhava em dar conhecimento às famílias que foram escolhidas para morar na vila rural sobre a vida de Rabin e queria criar a mística do comunitário, da paz, da quebra da violência, que foram as causas defendidas por ele’’, revela. O sonho, pelo menos no que se refere ao conhecimento sobre quem foi Yitzhak Rabin, ainda não se concretizou na pequena comunidade, onde moram 70 famílias.
A maioria delas nem sonha ter conhecido ou ouvido falar em Rabin. Luzia Martins Trugilio Oliva, 25 anos, moradora há quatro meses na vila rural, confessa, meio sem jeito, que não tem a mínima idéia de quem é o homenageado. ‘‘Já fui em várias reuniões com os organizadores da vila e sei que eles explicaram algumas vezes, mas não consigo guardar muitas coisas na memória. Esqueci quem foi ele’’, diz. Luzia tem o primeiro grau completo e afirma que não entende muito de história mundial.
Para Valdeci Gonçalves de Oliveira, 44 anos, o nome da vila rural ‘‘é muito bonito porque é bíblico’’. Analfabeta, ela sequer imagina quem foi o homenageado mas diz que, de qualquer forma, o nome é bonito. ‘‘Gosto muito daqui. Foi o melhor presente do ex-prefeito de Iguaraçu e do governo do Estado’’, diz.
Nos cinco mil metros quadrados do lote pertencente a Valdeci e o marido dela, o casal plantou mandioca, milho e café. Valdecir fica em casa e o marido trabalha em outras propriedades rurais. Nas horas de folga, o marido cuida de uma pequena lavoura própria. O casal, apesar de nunca ter ouvido falar de Yitzhak Rabin, agradece todos os dias pela criação da vila rural. ‘‘Se ele foi um homem bom, a homenagem é justa, porque a vida aqui também é muito boa’’, afirma Valdeci.

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