Quando Foz do Iguaçu deu asilo político para milhares de paraguaios que fugiam da ditadura do ex-presidente Alfredo Stroesner, não imaginava que, com o passar dos anos, o pequeno grupo passaria a ser uma das maiores colônias do Estado. Ocupando oito quadras, a Vila Paraguaia é um exemplo de integração entre brasileiros e os imigrantes do país vizinho.
Segundo o Centro Social e Cultural do Paraguai, conhecido como Casa Paraguaia, fundado na década de 80, a maioria dos imigrantes daquele país fugiram das atrocidades cometidas pelos militares. Porém, com a democracia, os paraguaios deixaram de migrar para o Brasil e hoje a colônia é reduzida praticamente, a segunda e terceira gerações de paraguaios.
Em 1959, por exemplo, o ex-senador paraguaio Anibal Abbate Soley militava no Partido Colorado (hoje no poder) e teve que fugir às pressas. Na época, Soley era ministro da Previdência Social do regime democrático, golpeado pelo ditador Stroesner. Ele se exilou em Foz do Iguaçu e, em 1990 - já no regime democrático -, voltou ao Paraguai e se elegeu senador. Porém, não se readaptou e renunciou ao cargo para voltar a Foz do Iguaçu.
Atualmente, a Casa Paraguaia é dirigida por um brasileiro. Mário Antônio Zarate, segunda geração da sua família, é o presidente da entidade e lamenta que apenas 30% dos atuais sócios são paraguaios legítimos. Zarate diz que o imigrante não encontra dificuldades em se integrar à comunidade brasileira mas, com o tempo, acaba perdendo parte de sua identidade. Para Zarate, o povo paraguaio foi o que mais perdeu sua identidade ao longo dos anos: ‘‘A medida em que as comunidades indígenas vão se dissipando, a cultura paraguaia vai junto’’.
Os paraguaios, geralmente, não resistem à miscigenação. Hoje, na Vila Paraguaia, a maioria dos casais é formada por brasileiros e paraguaios. ‘‘Se por um lado houve a integração, por outro trouxe a desculturização’’, afirma.
Ainda assim, pela manhã, eles evitam o pão francês e comem a galleta, uma broa feita com farinha de trigo e erva doce. Os mais tradicionais ainda tomam o tererê, uma bebida gelada feita a base de ervas para se refrescar do calor.
A maioria das comidas salgadas paraguaias é feita a base de milho, queijo, carnes e mandioca, como a chipa (biscoito), poroto (uma espécie de feijoada feita com feijão branco, queijo e caldo de carnes) e o puchero (carne com osso cozida com hortaliças e mandioca).
Na Casa Paraguaia, eles se reunem em grupos para dançar polka, guarânia e chamamé (incluída na tradição paraguaia por influência da Argentina). Em dias de baile, a galopeira - uma dança exclusiva para as mulheres, que bailam com garrafas sobre a cabeça - é mantida na tradição.

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