Vila Marízia lidera um triste ranking
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quarta-feira, 11 de dezembro de 2002
Emerson Dias<br>Reportagem Local 
Reportagem Local
A Vila Marízia está no topo de um triste levantamento realizado em Londrina: dos 12 assassinatos que registrados este ano na área central, seis ocorreram no bairro. Mais assustador ainda é saber que quatro homicídios aconteceram em uma única rua daquela vila, que conta com apenas três quadras.
O bairro também está em terceiro lugar no ranking dos mais violentos. Os 141 homicídios ocorridos em Londrina foram registrados em 65 bairros e localidades (incluindo os distritos rurais). A vila perde apenas para o Jardim União da Vitória (oito homicídios) e Jardim Nossa Senhora da Paz (sete).
A Rua Brasílio Machado marca a divisa entre a Marízia e o Jardim Progresso. Tem menos de 500 metros de extensão e conta com poucas casas, sendo a maioria habitada por famílias pioneiras. Uma marcenaria, uma mecânica e a creche da Casa do Bom Samaritano ocupam boa parte do trecho, que começa na Rua Ermelino de Leão e se encerra no Córrego Bom Retiro.
O local, antes tranqüilo, começou a se transformar em pesadelo para os moradores quando a primeira vítima (um foragido da Colônia Penal Agrícola, com 29 anos) foi morta, há quatro meses. De agosto pra cá, a situação só piorou. Uma árvore símbolo de vida tornou-se referência de um dos pontos mais críticos do local. Muitas mortes aconteceram ali, embaixo daquela amoreira. Mas é gente de fora que acaba criando confusão aqui no bairro, comentou o aposentado Genário Albino da Silva, 62 anos, apontando para os barracos erguidos no final da rua.
Uma invasão com 97 famílias toma conta das margens do Córrego Bom Retiro. Tido como ponto de drogas na região, o local é marcado por rixas, agressões e mortes. O presidente da associação de moradores, Davi Correia do Patrocínio, 64 anos e morador do bairro há 17, critica a conotação violenta dada pela polícia e pela imprensa ao local. E destacou que as mortes prejudicam as famílias de bem do local. Fica feio para a imagem do bairro, que conta com tanta gente trabalhadora. Nossa esperança mesmo é a construção de casas populares, disse Patrocínio, referindo-se ao projeto que prevê a construção de 28 casas no local da invasão, ainda sem data para efetivação.
O mais recente homicídio ocorreu no último domingo. O pedreiro Daniel Alves Coelho, 20 anos, foi encontrado morto com um tiro na nuca, na rua. A polícia encontrou uma trouxinha de maconha no bolso e dois papelotes de pasta base de cocaína em uma das mãos. Acho que todos estes crimes têm a ver com a maldita droga. Nunca tivemos problemas com roubo ou violência no bairro, mas confesso que tenho medo de deixar as crianças soltas na rua, contou a moradora Márcia Rocha, 31 anos.
Um dos assassinatos da Brasílio Machado ocorreu em frente à moradia desta dona de casa, que tem dois filhos um de sete anos e outro de dez meses. Mesmo ainda faltando 20 dias para o encerramento do ano, Londrina já registra 23 homicídios a mais que em 2001, quando ocorreram 117.


