Vila Isabel teme o Centro de Triagem
James Alberti
De Curitiba
O bairro na região sul de Curitiba está pedindo a transferência do Centro que teve duas fugas só nesta semana
Moradores do bairro Vila Isabel, de Curitiba, e representantes da secretaria da Segurança Pública do Estado devem discutir às 20 horas de hoje o destino do Centro de Triagem da Polícia Civil, recentemente transferido da Travessa da Lapa para a rua Tamoios - local onde funcionava a Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos. Na segunda e na terça-feira desta semana, 27 presos fugiram das celas do Centro de Triagem, o que provocou o afastamento do delegado Nílton Costa.
Os moradores afirmam sentir-se inseguros com a presença dos presos e querem a transferência imediata do Centro de Triagem para outro local. Já a secretaria aposta no reforço da segurança para evitar novas fugas e acalmar o ânimo da vizinhança. A expectativa dos moradores ontem era de que o secretário da Segurança, Cândido Martins de Oliveira, participasse do encontro. O assessor de imprensa da secretaria, Valdir Bicudo, afirmou que, caso ele não possa ir, deverá mandar um representante.
A dona de casa Myriam Ferretti Nazareno, 49 anos, uma das coordenadores do movimento para retirada do Centro de Triagem, disse, porém, não acreditar na presença de Oliveira. A gente não acredita que ele vá. Se não for ninguém, vamos discutir meios de chegar até ele. O tom agressivo de Myriam reflete o estado de espírito dos moradores do bairro. Não dá mais para continuar vivendo assim, afirmou. Segundo a dona de casa, a posição do população quanto a retirada é irreversível. Ela disse que não estão descartadas medidas drásticas para atingir esse objetivo.
Com um discurdo conciliador, Bicudo disse que Oliveira deverá ouvir os moradores. Vamos conversar para chegar a uma conclusão do que deve ser feito. Se a reivindicação for justa, o secretário não deve se furtar em atender, afirmou. Apesar dos moradores não terem sido ouvidos sobre a transferência do Centro de Triagem para a Vila Isabel, o assessor disse que não é uma imposição da secretaria a sua manutenção no bairro.
Discordando da população, o delegado Paulo Silveira, que assumiu o Centro de Triagem anteontem, disse que as celas da cadeia oferecem segurança para a guarda de presos. Um policial da delegacia, porém, parece não concordar. Trancar os presos nesta cadeia é o mesmo que prender ratos em caixa de papelão, afirmou o agente à imprensa. Conforme Silveira, a segurança deve melhorar com as obras que o governo do Estado está realizando no local. Para justificar a permanência no bairro, o delegado alegou que o número de presos do Centro de Triagem é igual ou menor do que o de delegacias da cidade. O centro abriga 93 presos e tem capacidade para 96.





