Imagem ilustrativa da imagem Vila Casoni tem sacolão da agricultura familiar
| Foto: Ricardo Chicarelli - Grupo Folha

Moradora da Vila Casoni, a aposentada Angela Chaves costuma manter a geladeira sempre abastecida com verduras e legumes. Para isso, costuma ir até mercados, que nem sempre são tão próximos de casa. Mas desde a última quinta-feira (8), sua principal opção para aquisição dos produtos tem sido o sacolão da agricultura familiar, recém-inaugurado no bairro, na região central de Londrina. “Estávamos precisando de algo assim. Vai ser muito bom para a cidade”, comemorou.

O sacolão vende produtos de cerca de 460 pequenos agricultores associados à Coafas (Cooperativa Solidária de Produção Comercialização e Turismo Rural da Agricultura Familiar), em sua maioria moradores de Londrina. A cooperativa fica na mesma área do Mercado do Campo, próximo à avenida Dez de Dezembro. O espaço, que já era utilizado para a logística de distribuição de alimentos produzidos em propriedades rurais por meio do Programa de Aquisição de Alimentos e Programa Nacional de Alimentação Escolar, foi cedido pela Cohab (Companhia de Habitação). O funcionamento é de terça a sábado.

Segundo o gerente administrativo da Coafas, Denilson Eduardo Saraiva, por não haver atravessadores, o sacolão consegue ofertar preços mais baixos. “Toda a comercialização fica melhor quando acontece entre o agricultor e quem recebe, pois os produtos são frescos, têm segurança alimentar e são produzidos na região. Antes, o produtor tinha que sair de sua terra, ir à Ceasa, nisto o gênero é comprado por terceiros, que muitas vezes repassam para supermercados. Tem toda uma movimentação, então 'quebra' esta cadeia e otimiza”, elencou.

VARIEDADE
A variedade de produtos encontrados no local é grande. São sucos, geleia, pães, bolachas, bolos, frutas, verduras, legumes, doces e mel. Frequentadora da época em que no espaço existia o mercadão da Vila Casoni, Cleonice Conrado gostou da qualidade das hortaliças que encontrou, além de notar uma diferença considerável no valor do tomate, que está sendo comercializado por R$ 2,99 o quilo. “Nos mercados está passando dos R$ 4. Achei legal esta abertura e é uma forma de colaborar com os agricultores familiares e com produtos de qualidade”, ressaltou.

"É uma forma de colaborar com os agricultores familiares e ter produtos de qualidade”,  afirma Cleonice Conrado
"É uma forma de colaborar com os agricultores familiares e ter produtos de qualidade”, afirma Cleonice Conrado | Foto: Ricardo Chicarelli - Grupo Folha

As cunhadas Sueli e Sandra Silva aproveitaram os primeiros dias de operação do sacolão da agricultura familiar para conferir o que estava sendo vendido. “Seria interessante também se tivesse produtos orgânicos. Poderia ser mais uma forma de atender a população. Outra questão é a procedência. Dava para destacar a origem de todas as verduras e legumes com cartazes. No geral é bem organizado”, apontaram. O pagamento também pode ser efetuado com cartão de crédito.

Saraiva explicou que ao receber as mercadorias é feita uma consolidação antes de expô-las nas gôndolas e que a Coafas sabe a origem de tudo. “Como são muitos associados, vamos entrando em contato a partir da demanda e do que eles têm à disposição para entregar. Com isso vamos fazendo um rodízio e acaba beneficiando todos. Repomos diariamente”, disse. “Este projeto é uma forma de manter o jovem no campo e fazer com que as pessoas que moram na área rural consigam se manter, com produção e venda. Isto evita o êxodo rural, já que não precisam sair da propriedade em busca de renda”, frisou.

PROCURA SURPREENDE

Hoje responsável pela atividade de apicultura que herdou do pai, Miguel Gomes mantém com a mulher Fátima Aparecida Celestino, 130 colmeias na propriedade onde vive, na Colônia Coroados, Patrimônio Selva, região sul de Londrina, e em outros terrenos arrendados. Antes do sacolão da agricultura familiar, a venda dos potes de mel era feita para alguns fregueses fixos. Agora, o processo está bem mais doce. “Era mais complicado e desde a semana passada só coloco lá no sacolão e está saindo rápido. Foram 20 quilos em dois dias. É do produtor direto para o consumidor. Têm pessoas do outro lado da cidade indo buscar”, comemorou.

Com estoque a partir do que colheu entre dezembro e janeiro, Gomes já prepara o próximo recolhimento do alimento. “Estamos nos organizando para a safra deste ano. Fazemos tudo em casa, que é simples, entretanto, seguimos todas as normas da Vigilância Sanitária. Nos organizamos para fazer uma agroindústria, com mais estrutura. A procura tem nos surpreendido de forma positiva. Trabalhamos para cuidar do meio ambiente e é prazeroso”, contou.

O sacolão está instalado num barracão com 1.373,70 metros quadrados de área total e 492,73 metros quadrados de área construída, mas ocupando uma pequena extensão. O gerente administrativo da Coafas (Cooperativa Solidária de Produção Comercialização e Turismo Rural da Agricultura Familiar) projetou que o projeto pode abranger espaço maior e até ser levado para outras localidades do município em breve. “Vai depender do consumo e receptividade das pessoas, que por enquanto está ótima”, afirmou Denilson Saraiva.

SERVIÇO
O sacolão da agricultura familiar fica na rua Caraíbas, 452. O horário de funcionamento é de terça a sexta-feira, das 8h às 18h, e aos sábados das 8h às 12h.

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