Uma vitrine formada por 966 camisetas de tamanhos e estampas diferentes chamou a atenção de quem passou ontem pela manhã em frente ao Memorial de Curitiba, no Largo da Ordem. Cada uma delas representava uma vítima fatal da Aids na cidade. A 14ª Vigília em Solidariedade às Pessoas Afetadas pela Aids foi realizada simultaneamente em cerca de 50 países.
A primeira vigília aconteceu em 1983, na cidade de São Francisco (EUA), quando a doença ainda era praticamente desconhecida da população e havia feito apenas 3 mil vítimas fatais em todo o Mundo. Em Curitiba, a vigília se repete há quatro anos, segundo explicou o presidente do Grupo Dignidade, Toni Reis.
‘‘A idéia é reunir pessoas que trabalhem com a Aids e o público em geral para tentar sensibilizar’’, disse ele. ‘‘Ainda há muita discriminação.’’ Reis informou que dos 43 hospitais de Curitiba, apenas três - Osvaldo Cruz, HC e Portão - atendem aos doentes de Aids, oferecendo 43 leitos. Existem na cidade 1.450 doentes e cerca de 30 mil infectados. ‘‘Os outros hospitais não atendem por puro preconceito’’, denunciou.
A maioria das vítimas acaba sendo acolhida pelas organizações não-governamentais (ONGs), como o Grupo Dignidade, o Pela Vida e outros. Existem atualmente em Curitiba dez ONGs que trabalham com portadores do HIV, segundo explicou Reis.
O tema da vigília neste ano é ‘‘Honrar cada morte, valorizar cada vida.’’ Na opinião do presidente do Dignidade, o que mais mata é a falta de prevenção. ‘‘As pessoas estão informadas, mas sempre encontram pretextos para não se prevenirem’’, afirmou Reis. Ele informou que atualmente as mulheres e os usuários de drogas são as principais vítimas da doença.
Durante a vigília, organizada pelas secretarias Estadual e Municipal da Saúde e pelo Fórum Popular das ONGs/Aids, houve apresentação do Vocal Brasileirão, toque de sinos, momentos de reflexão, venda dos laços vermelhos da solidariedade e outras atividades. As camisetas, que haviam sido doadas pela população, foram entregues a instituições de caridade.

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