Dimitri do Valle
De Curitiba
O Sindicato dos Vigilantes de Curitiba e região metropolitana realizou ontem à tarde na Boca Maldita, centro da cidade, um protesto contra o trabalho clandestino. O alvo principal das críticas foram empresas que estariam contratando irregularmente policiais militares. Desde que fez as denúncias, no final do mês passado, o presidente do sindicato, João Soares, passou a ser escoltado por seguranças.
‘‘A polícia sabe o que está acontecendo. Lugar de PM é na rua cuidando da segurança da população’’, disse Soares. Em Curitiba, a estimativa do sindicato é de que 300 policiais militares estariam fazendo ‘‘bicos’’ no setor de vigilância privada. ‘‘Isto é ruim para a própria segurança pública’’, analisou o ex-deputado federal Francisco Domingo dos Santos, que é diretor da Confederação dos Vigilantes do Brasil.
O ex-deputado revelou ter tentado conversar com o governador Jaime Lerner sobre a situação no Estado. Chico Vigilante disse que Lerner não quis recebê-lo. ‘‘Se algum dirigente sindical sofrer qualquer tipo de represália ou agressão, a responsabilidade será do governador, que é o comandante supremo da PM’’, considerou vigilante. No dia 23 de outubro, a sede do sindicato em Curitiba foi arrombada. Disquetes contendo um dossiê sobre o esquema envolvendo PMs desapareceram, segundo o ex-deputado.
Chico Vigilante anunciou que na próxima semana tem uma audiência marcada com o ministro da Justiça, José Carlos Dias. Segundo ele, há pelo menos 1,5 milhão de vigilante trabalhando no Brasil sem treinamento ou regularização na área de segurança privada.

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