Sem acordo com o Ministério da Agricultura, os vigilantes de Londrina, Maringá e Umuarama, que prestavam serviços nos postos do antigo Instituto Brasileiro do Café (IBC), através da empresa Ambiental Vigilância, prometem acampar, a partir de segunda-feira, na sede do órgão em Curitiba. Na última semana, foram demitidos, no total, 160 trabalhadores em todo o Estado. Somente em Londrina 47 vigilantes perderam o emprego.
Em uma assembléia tumultuada ontem pela manhã, na sede do Sindicato dos Vigilantes de Londrina, os demitidos decidiram não aceitar a proposta apresentada pela advogacia-geral da União. O Ministério da Agricultura havia proposto aos vigilantes que já estavam sem receber salários há dois meses e 17 dias até a demissão consumada no dia 17 de setembro , ratear as faturas que a União teria que pagar para a Ambiental, deduzindo impostos.
''O que daria R$ 3.400 a R$ 3.500 para quitar o salário de cada vigilante e sem o pagamento de qualquer direito trabalhista'', afirma a advogada do Sindicato dos Vigilantes de Londrina, Edna Zila Jóia Correia e Silva.
O vigilante Marcos de Oliveira, 34 anos, trabalhou 4 anos e 4 meses no posto do IBC da Avenida do Café, bairro Aeroporto (Zona Leste), e diz que, somente em atrasados, teriaa R$ 2.080 a receber, sem contar os outros direitos trabalhistas que deveriam ser pagos.
Apesar de ser solteiro, o rapaz lembra que também tem dívidas para saldar, afirmando que outros companheiros estão em situação mais difícil, alguns até com empréstimos bancários.
A Master Vigilância, empresa de Curitiba, venceu a licitação para prestar os serviços que eram realizados pela Ambiental.
''O Ministério da Agricultura garantiu que os nossos postos de trabalho seriam mantidos. Porém, no dia 17, quando estava trabalhando, chegou um outro vigilante contratado pela nova empresa para trabalhar no meu lugar'', afirma Oliveira.
A advogada da União, Gisele Bittencourt, ressalta que não é obrigação da nova prestadora de serviços manter o quadro de funcionários da Ambiental. ''A União não figura como contratante. Quem vai contratar é a Master. A União não tem ingerência, sendo somente uma tomadora de serviços'', explica.
Como forma de pressionar uma solução para o impasse, os vigilantes demitidos embarcam domingo à noite para Curitiba.
''Vamos ficar acampados lá até conseguirmos alguma coisa'', assegura o secretário geral do Sindicato dos Vigilantes de Londrina, Sérgio Guedes.

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