Vigilantes levam empresas à Justiça
Luciana Pombo
De Curitiba
O presidente do Sindicato dos Vigilantes de Curitiba e Região Metropolitana, João Soares, denunciou ontem a contratação irregular de cerca de 300 policiais militares em empresas de segurança da capital. Eles estariam sendo contratados, sem qualquer vínculo empregatício, para realizar a escolta armada de transporte de valores e cargas. Eles atuam em carros descaracterizados e, muitas vezes, utilizam uniformes de vigilantes, fraudando o estado e a União, acusou Soares.
No fim de semana, a sede do Sindicato dos Vigilantes, no Prado Velho, foi arrombada. Os ladrões quebraram o circuito interno de alarme e levaram apenas o computador da diretoria, onde estavam arquivados os nomes de policiais envolvidos nas empresas de segurança. Não estou afirmando que tem relação, mas é no mínimo suspeito que tenham entrado aqui para roubar apenas o meu computador, argumentou ele.
O trabalho de policiais militares em empresas de segurança é vedado pela Portaria 992 do Ministério da Justiça, capítulo III, artigo 44. Enquanto esses policiais estão tirando o emprego de centenas de vigilantes, as ruas da cidade convivem com a insegurança e a criminalidade aumenta, disse Soares, que denunciou ainda que as empresas citadas são de propriedade de coronéis e ex-comandantes da Polícia Militar. Estamos sofrendo ameaças e estamos com medo, mas decidimos que não iremos parar de denunciar, argumentou ele.
Três empresas A Astran Vigilância S/C Ltda, Companhia Paulista de Segurança (Cops) e Special Service Segurança estão sendo investigadas na denúncia feita pelo sindicato ao Ministério Público, Polícia Federal, Ministério Público do Trabalho, Câmara Municipal de Curitiba e Assembléia Legislativa do Paraná. Desde que as denúncias começaram a ser feitas, na semana passada, Soares disse que tem sofrido ameaças por telefone, todas anônimas. Eu estou com muito medo de retaliação. Andar na rua me assusta, contou ele.
Hoje, às 10 horas, o Ministério Público ouve a diretoria da empresa Astran, que seria comandanda pelo coronel Sérgio Malucelli. A audiência terá a participação da ouvidoria da Polícia Militar e o departamento da Polícia Federal.
Ontem, a reportagem da Folha tentou contato com as empresas denunciadas e conseguiu localizar apenas a diretoria da Special. Segundo o diretor da empresa, Sandro Maurício Smamiotto, não existe a contratação ou uso de mão-de-obra militar nos trabalhos de segurança da Special. Acho que o sindicato está completamente equivocado. Ele deveria apresentar provas destas denúncias, afirmou ele. A empresa de acordo com Smamiotto tem 100 vigilantes cadastrados e alvará de funcionamento expedido pela Polícia Federal.
O chefe da comunicação social da Polícia Militar, José Paulo Betes, disse ontem que todas as denúncias que forem encaminhadas para o Comando do Policiamento da Capital (CPC) serão investigadas e os policiais que estiverem trabalhando em empresa de segurança serão processados administrativamente. A situação é irregular e a Polícia Militar irá investigar a fundo todas as denúncias que forem encaminhadas, garantiu.Vigilantes acusam empresas de segurança de contratação irregular de PMs. Sindicato foi invadido no fim de semana
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