Vigilantes fazem vigilia por salários
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segunda-feira, 30 de agosto de 2004
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Cerca de 30 vigilantes dos mais de 200 que trabalhavam para a empresa Ambiental Vigilância em Londrina fizeram ontem uma espécie de vigília em frente à sede sindical que representa a categoria para denunciar a demora no recebimento de mais de R$ 279 mil em dívidas trabalhistas que têm direito. Em julho, a 11 Vara do Tribunal Regional do Trabalho, em Curitiba, bloqueou as faturas da empresa para garantir o pagamento da dívida mas até agora apenas os funcionários da capital foram contemplados. Por causa da insuficiência de recursos, a juíza Rosângela Vidal determinou que o pagamento dos funcionários do interior deve respeitar uma lista de espera.
Enquanto isso, os vigilantes trabalham sem receber por causa do temor de perder os empregos. ''Está todo mundo passando dificuldade. O pessoal continua trabalhando para não perder o posto de trabalho'', desabafou o vigilante João Carlos Fabri, 35 anos. Ele tem dois meses de salário, tíquete-alimentação e vale-tranporte em atraso. O colega de profissão, de empresa e agora de dívida, Júlio César Henrique Augusto, 29, calculou que tem a receber cerca de R$ 5 mil. Quando decidiram brigar pelo cumprimento dos direitos na Justiça, Augusto disse que o sindicato os orientou a propor a ação em conjunto com os funcionários da capital, porque a decisão seria mais rápida. A expectativa, no entanto, não se confirmou. ''Em Curitiba, eles já estão recebendo e aqui até agora nada'', lamentou. Augusto tenta equilibrar o orçamento com o que recebe como atleta ele pratica arremesso de peso pela Fundação de Esportes e com a ajuda da esposa.
O presidente do Sindicato dos Vigilantes de Londrina e Região, Orlando Luiz de Freitas, reclamou que, por enquanto, apenas os funcionários do interior estão sendo penalizados. Ele disse que o sindicato ingressou com ação também na 5 Vara do Trabalho em Londrina e teve ganho de causa. Pela decisão, os funcionários de Londrina teriam direito a receber R$ 279 mil em dívidas e o sindicato mais R$ 102 mil, referentes à contribuição sindical retida pela empresa. O juiz Manoel Vinícius de Oliveira Branco oficiou a 11 Vara do TRT para liberar o recurso mas a juíza manteve a decisão de respeitar uma lista de pagamentos para o interior. Ontem, advogados do sindicato estiveram no TRT para tentar reverter a situação. Hoje à noite, os vigilantes se reúnem em assembléia para discutir o assunto.
Segundo a assessoria da juíza, a lista foi a solução encontrada para a falta de recursos da empresa. Ao todo, a dívida da Ambiental com os vigilantes chegaria a R$ 8 milhões em todo o Estado mas, por enquanto, a Justiça teria conseguido bloquear apenas R$ 1,9 milhões, que foram repassados aos funcionários da capital. A assessoria não estipulou prazos para liberar recursos para o Interior.
Em Londrina, a Folha não localizou nenhum responsável pela Ambiental Vigilância. A casa que servia de sede da empresa está fechada e com anúncio de locação. A direção da empresa em Curitiba foi procurada mas até o fechamento desta edição ninguém retornou a solicitação de entrevista.


