Vigilante mata colega de trabalho com um tiro
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segunda-feira, 10 de agosto de 1998
Lucilia Okamura 
O vigilante José Irineu Correia, 32 anos, matou, acidentalmente, o colega de trabalho Elias Bernardo da Silva, 35 anos, ontem de madrugada. A dupla fazia a segurança no Residencial das Américas (zona norte de Londrina) e, durante uma perseguição a um ladrão, Correia atirou e acertou Silva nas costas. A vítima morreu no local.
Correia explica que, por volta das 4 horas de ontem, o porteiro do condomínio José Fernandes Menezes Pereira viu um ladrão no estacionamento do residencial tentando furtar um painel de uma moto e chamou a dupla. Silva teria ido por uma direção e Correia foi de carro por um outro caminho para tentar encurralar o ladrão.
Elias da SilvaO vigilante Correia: Ele era mais do que um irmão para mimDe dentro do carro, Correia viu o ladrão e o colega parados e atirou, usando seu revólver calibre 38. Vi o ladrão correndo, atirei mais duas vezes mas não acertei e ele fugiu, relata. Depois, o vigilante correu de encontro ao colega. Ele tentou falar algo, mas não deu tempo. Ele morreu nos meus braços, conta. Segundo o delegado do 2º Distrito Policial, Antonio Zuba de Oliva, a bala entrou pelas costas e saiu pela traquéia. O vigilante não soube dizer a que distância estava do colega quando atirou. Estava escuro, justifica.
Bastante abatido, Correia diz ser terrível a sensação de ter atirado contra o colega de trabalho. Ele era mais que um irmão para mim, afirma. Estou me sentindo muito mal. Preferia estar no lugar dele, ressalta. Ele explica que a dupla trabalhava junto há dois anos, quando concluíram o curso de vigilante. Eles eram funcionários da empresa Cobra, de Londrina. A vítima era casada, tinha uma filha de dois anos e morava na Vila Brasil.
A Polícia foi chamada e, a princípio, Correia negou o crime, afirmando que o ladrão teria atirado. Mas depois ele acabou confessando, observa o delegado. Correia foi autuado em flagrante por homicídio culposo e, após pagar fiança de R$ 200,00, foi liberado para responder ao processo em liberdade. Segundo Zuba de Oliva, a pena para o crime é de um a três anos de reclusão. Além da arma de Correia, a Polícia apreendeu também o revólver calibre 38 da vítima, que estava com dois cartuchos deflagrados.
O delegado critica a atuação dos dois vigilantes. Eles fizeram bem em evitar o furto, mas deveriam ter acionado a Polícia para prender o ladrão. A função deles é de vigiar, afirma.


