Curitiba

Albari RosaCarlos Augusto Félix, que teria sido demitido por ser homossexual e ter o vírus da Aids: ‘‘Foi uma vitória parcial’’Terminou em acordo a ação trabalhista do vigilante Carlos Augusto Félix contra a Empresa Brasileira de Segurança (Embraseg), que o teria demitido por ‘‘discriminação sexual’’ há um mês e meio. Homossexual e portador do vírus da Aids, ele vai receber uma indenização de R$ 7 mil, dividida em cinco parcelas. ‘‘Foi uma vitória parcial, pois eu merecia muito mais pela humilhação que passei’’, comentou o ex-funcionário após o acerto, ontem à tarde, em Curitiba.
Félix pretendia receber pelo menos R$ 30 mil. ‘‘Como estou doente e endivididado, fiz o acordo para não sair de mãos vazias’’, disse. Na primeira audiência, em 28 de julho, a Embraseg propôs pagar R$ 600,00 de indenização. ‘‘Nós só fizemos o novo acerto por reconhecermos pendências relativas às horas extras e ao intervalo entre as jornadas’’, disse o diretor da empresa, José Maria Wasilevski, que afastou a hipótese de preconceito.
Segundo Wasilevski, a Embraseg não sabia que Félix era gay e aidético. ‘‘A empresa jamais discrimina’’, assegurou, antes de definir o acordo como ‘‘abominável e idiota’’. Irritado, o diretor se contradisse e deu uma demonstração de homofobia: ‘‘Fora do trabalho, ele poderia fazer o quiser com seu corpo, até colocar o revólver e o coldre lᒒ.
Félix agora deve entrar com ação criminal contra a empresa. ‘‘Se eu puder, vou mais longe’’, disse. Mesmo depois de o acordo ser consumado pelo juiz Márcio Gapski na 17ª Junta de Conciliação de Julgamento, o vigilante permanecia nervoso. Ele tem 32 anos, está com o vírus HIV desde 1989 e toma regularmente o coquetel de medicamentos de combate à Aids. ‘‘Me sinto feliz, apesar de tudo’’, disse.
Os grupos gays Dignidade e Esperança se solidarizaram com Félix. Dois representantes das entidades levaram faixas ao prédio da Justiça do Trabalho e protestaram contra a discriminação sexual.

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