Vigilante gay faz acordo com empresa
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segunda-feira, 04 de agosto de 1997
Dary Júnior 
Curitiba
Albari RosaCarlos Augusto Félix, que teria sido demitido por ser homossexual e ter o vírus da Aids: Foi uma vitória parcialTerminou em acordo a ação trabalhista do vigilante Carlos Augusto Félix contra a Empresa Brasileira de Segurança (Embraseg), que o teria demitido por discriminação sexual há um mês e meio. Homossexual e portador do vírus da Aids, ele vai receber uma indenização de R$ 7 mil, dividida em cinco parcelas. Foi uma vitória parcial, pois eu merecia muito mais pela humilhação que passei, comentou o ex-funcionário após o acerto, ontem à tarde, em Curitiba.
Félix pretendia receber pelo menos R$ 30 mil. Como estou doente e endivididado, fiz o acordo para não sair de mãos vazias, disse. Na primeira audiência, em 28 de julho, a Embraseg propôs pagar R$ 600,00 de indenização. Nós só fizemos o novo acerto por reconhecermos pendências relativas às horas extras e ao intervalo entre as jornadas, disse o diretor da empresa, José Maria Wasilevski, que afastou a hipótese de preconceito.
Segundo Wasilevski, a Embraseg não sabia que Félix era gay e aidético. A empresa jamais discrimina, assegurou, antes de definir o acordo como abominável e idiota. Irritado, o diretor se contradisse e deu uma demonstração de homofobia: Fora do trabalho, ele poderia fazer o quiser com seu corpo, até colocar o revólver e o coldre lá.
Félix agora deve entrar com ação criminal contra a empresa. Se eu puder, vou mais longe, disse. Mesmo depois de o acordo ser consumado pelo juiz Márcio Gapski na 17ª Junta de Conciliação de Julgamento, o vigilante permanecia nervoso. Ele tem 32 anos, está com o vírus HIV desde 1989 e toma regularmente o coquetel de medicamentos de combate à Aids. Me sinto feliz, apesar de tudo, disse.
Os grupos gays Dignidade e Esperança se solidarizaram com Félix. Dois representantes das entidades levaram faixas ao prédio da Justiça do Trabalho e protestaram contra a discriminação sexual.


