Vigilante diz que morte foi acidental
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segunda-feira, 25 de março de 2002
Telma ElorzaReportagem Local 
O vigilante Fábio Aparecido Gomes Pereira, 27 anos, prestou depoimento ontem de manhã ao delegado do 6º Distrito Policial de Londrina, Algacir Ramos. Ele é acusado de matar o colega Jone César de Almeida, 34 anos, na noite do dia 15, na Mata dos Godoy, onde foi construída a cidade cenográfica do filme Gaijin 2 (zona sul). Em depoimento, ele disse que o tiro foi acidental. Segundo Pereira, ele era amigo da vítima e não tinha nenhuma desavença com Almeida. Sinceramente, não sei dizer o que aconteceu, afirmou.
Almeida foi morto com um tiro na testa quando chegava à cidade cenográfica em um carro da empresa de segurança Cobraseg. Segundo as primeiras versões sobre o crime que circularam pela cidade, o vigilante teria sido morto ao trocar tiros com caçadores que costumam invadir a mata. Mas a própria empresa desmentiu a versão e apontou Pereira como o autor do disparo. De acordo com o advogado da empresa, Marcelo Leal, que está dando assistência a Pereira, a versão foi um mal-entendido e não uma dissimulação. Como no dia anterior ao crime havia sido registrada queixa sobre disparos na região da mata, surgiu esse boato. Em nenhum momento tentamos ocultar a verdade, afirmou.
De acordo com ele, trata-se claramente de um homicídio culposo (sem intenção de matar). O que aconteceu é que todos estavam muito tensos. No dia anterior, tinha havido disparos na Mata dos Godoy. No dia do crime, os produtores do filme chamaram todos os vigilantes e pediram para tomar muito cuidado com o equipamento e peças que estavam lá, coisas valiosas e algumas até insubstituíveis, relatou. Quando o Fábio viu os dois rapazes saindo do carro sem identificação, deve ter se apavorado e disparado a arma até sem perceber, justificou.
Para o advogado, foi um tiro de fatalidade. Eu estive no local, à noite, acho que, se ele tivesse a intenção de matar o colega não iria conseguir, explicou.
O delegado disse que vai esperar a empresa apresentar a arma e também o certificado de conclusão de curso de vigilante de Pereira. Quero ouvir, inclusive, o instrutor porque, particularmente, acho que o rapaz não está preparado para ser vigilante, afirmou. De acordo com Ramos, ele vai deixar para o Ministério Público tipificar o crime. Mas, na minha opinião, não houve dolo. É o tipo de acidente que poderia ser evitado se houvesse o um maior preparo, disse.


