O vigilante da Cobraseg Serviço de Vigilância e Segurança, Jone César de Almeida, 34 anos, foi morto com um tiro na testa na noite de sexta-feira, por volta das 23 horas, quando fazia a segurança da Fazenda Santa Helena, no patrimônio Regina, na cidade cenográfica do filme Gaijin 2.
Segundo o boletim de ocorrência registrado na 10ª Subdivisão Policial, a vítima estava trabalhando com outros quatro vigilantes na noite do crime e foi encontrada, ainda com vida, por um dos colegas. Jone foi atendido pelo Siate e morreu quando estava sendo encaminhado ao Hospital Evangélico.
A Polícia ainda não tem pistas sobre o assassino, mas moradores das proximidades da fazenda informaram à Folha que, nas duas últimas semanas, têm havido disparos de armas de fogo na entrada da cidade cenográfica. Um deles disse que, na noite anterior ao crime, ouviu tiros e ligou para a PM, mas até a meia-noite ninguém apareceu. Depois disso, houve mais disparos.
Ao ligar para a Cobraseg, o morador soube que o local virou um verdadeiro bang-bang por conta da troca de tiros entre os seguranças do filme e caçadores que atuam na Mata do Godoy, reserva florestal onde a caça é proibida. ‘‘Isso aconteceu umas duas ou três vezes nas últimas semanas’’, confirma o chefe de segurança da Cobraseg, Salvador Sidnei. De acordo com ele, os caçadores estariam irritados com a segurança no local, que está impedindo a entrada deles na reserva. ‘‘A nossa função não é coibir a caça, mas somente cuidar do set de filmagens e dos equipamentos que estão lᒒ, diz Salvador, que planejava entrar em contato com a polícia florestal na próxima semana.
Ele conta que, dias atrás, um sujeito à cavalo, com roupa camuflada, cara pintada e armado com espingarda calibre 12, atirou contra um dos seguranças, que pediu demissão no dia seguinte. Sobre o crime, Salvador informa que, segundo relato dos seguranças que trabalhavam com a vítima, houve troca de tiros e eles se encontravam em situação de risco.
De acordo com o chefe do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Andrew Pinheiro Neto, os fiscais têm visto rastro de cavalo e bicicleta no local, mas ainda não conseguiram pegar nenhum suspeito. ‘‘Temos um guarda-parque que, quando suspeita de algo, aciona a polícia florestal. Mas a mata é muito grande, é um trabalho difícil’’, justifica ele, que diz já ter sido informado pela equipe do filme sobre a troca de tiros que vinha acontecendo. Já a Polícia Florestal afirma que os patrulhamentos no parque são obrigatórios por se tratar de área estadual. ‘‘Já foram feitos alguns flagrantes de caça há uns três meses’’, relata o soldado Souza. Mas, para entrar em áreas particulares, como é o caso da Fazenda Santa Helena, a Polícia precisa da formalização da denúncia, o que não foi feito até agora. O inquérito para apurar o crime será presidido pelo delegado Algacir Ramos, do 6º distrito policial.
Em comunicado à imprensa, a produção do filme Gaijin 2 lamenta o incidente e reafirma que as filmagens seguirão o cronograma previsto.

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