Sid SauerPedro Francisco Barbosa já foi beneficiado por um dos programas sociais do governoDos 12 trabalhadores que almoçaram com o presidente Fernando Henrique Cardoso, na terça-feira, durante as comemorações pelo terceiro aniversário do Plano Real, um deles era de Campo Mourão. O vigilante Pedro Francisco Barbosa, 51 anos, foi escolhido pelo próprio governo federal, depois que encaminhou uma lista com três nomes a pedido da Secretaria de Estado da Habitação. As 12 pessoas que almoçaram com FHC - nove homens e três mulheres - já haviam sido beneficiadas com programas sociais do governo. No caso de Barbosa, ele é mutuário de um conjunto habitacional recentemente inaugurado.
O vigilante, que até 1991 trabalhava na zona rural, retornou a Campo Mourão anteontem à tarde. Ontem pela manhã, ele contou à Folha a emoção do almoço com o presidente:
Folha - Como o senhor foi recebido pelo presidente?
Barbosa - Fui muito bem recebido. A secretária dele já estava me esperando no aeroporto. Para falar a verdade, me senti quase melhor do que em casa. Foi fantástico.
Folha - Foi a primeira vez que o senhor viajou de avião?
Barbosa - Foi.
Folha - O senhor ficou mais nervoso durante a viagem ou durante o almoço com o presidente?
Barbosa - Sabe que não foi uma coisa nem outra? Me senti muito à vontade. Até gostaria de voltar lá e andar de avião de novo.
Folha - O senhor gostou de Brasília?
Barbosa - Gostei. Por minha vontade, iria embora para lá.
Folha - O que o senhor achou do presidente?
Barbosa - Muito bom, uma pessoa simples. A mulher dele é uma pessoa muito simples também, uma pessoa muito humana.
Folha - O grupo em que o senhor estava ficou quanto tempo com o presidente?
Barbosa - Nós chegamos no Palácio da Alvorada às 13h30, mas o presidente foi falar com os repórteres antes e fomos para a mesa às 14 horas. Saímos às 16 horas. Depois, o presidente ainda mandou a secretária dele mostrar o centro da cidade para nós.
Folha - O presidente conversou bastante?
Barbosa - Bastantinho. Lembrou até de Campo Mourão. Perguntou como estava a cidade e a festa do carneiro no buraco.
Folha - O que foi servido no almoço?
Barbosa - Era tanta coisa que eu nem lembro. Estava bom demais. Nunca comi tão bem na minha vida.
Folha - Do que o senhor gostou mais?
Barbosa - Tinha um prato feito de uma flor que era muito gostosa. Eu adorei, mas não sei que flor era, não.
Folha - Tinha bebida?
Barbosa - Tinha de tudo que você quisesse. Eu preferi um vinho branco. A sobremesa, então, era demais. Era tanta coisa que eu nem imagino o que tinha.
Folha - O senhor viu o que o presidente bebeu?
Barbosa - Ele bebeu um vinho branco também.
Folha - De que assunto o presidente falou mais?
Barbosa - Ele falou bastante do plano real. Perguntou o que nós achávamos do plano.
Folha - O senhor aprova o plano real?
Barbosa - Aprovo. Nos outros planos eu não tinha condições de ter a minha casa. Hoje eu tenho a minha casa.
Folha - Quanto o senhor recebe por mês?
Barbosa - O meu salário livre é de R$ 280,00, mas tem sempre umas horas extras que aumenta um pouco. Chega aos R$ 400,00.
Folha - O senhor votou no atual presidente em 94?
Barbosa - Votei.
Folha - O senhor vota nele de novo se ele for candidato?
Barbosa - Voto duas ou três vezes se for preciso.

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